Em semifinal, Atlético Paranaense entra em campo com crianças refugiadas

Para os amantes de futebol, o último domingo (24) não foi um domingo qualquer. Era dia de decisão nos campeonatos estaduais. No entanto, para a família síria Asaad, que há dois anos vive no Brasil, a animação dos irmãos David e Danial começou na sexta-feira, quando foram convidados para acompanhar bem de perto a semifinal do Campeonato Paranaense, entre o Atlético e o Maringá. Partida na Arena da Baixada terminou em 5 a 0 para o Furacão.

Para os amantes de futebol, o último domingo (24) não foi um domingo qualquer. Era dia de decisão nos campeonatos estaduais. No entanto, para a família síria Asaad, que há dois anos vive no Brasil, a animação dos irmãos David e Danial começou na sexta-feira, quando foram convidados para acompanhar bem de perto a semifinal do Campeonato Paranaense, entre o Atlético e o Maringá. Partida na Arena da Baixada terminou em 5 a 0 para o Furacão.

“Desde o dia em que eles souberam que participariam deste jogo, não tivemos outro assunto em nossa casa. Tudo era futebol e hoje aqui estamos, realizando um dos sonhos deles no Brasil”, conta Aeida, farmacêutica síria e mãe dos dois garotos que entraram em campo de mãos dadas com os jogadores do Atlético Paranaense.

A presença das crianças refugiadas na partida foi uma iniciativa do time, que entrou em contato com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O objetivo era chamar a atenção dos torcedores do clube para uma data triste: o sétimo aniversário da Guerra da Síria. Milhares de pessoas, como os integrantes da família Assad, foram vítimas do conflito e buscaram refúgio em outros países.

Para o secretário do Conselho Deliberativo do Atlético Paranaense, Roberto Bonnet, o futebol pode ser uma ferramenta de integração cultural, esportiva e social. Segundo o gestor, trata-se de “utilizar o clube como esse (agente) integrador para mostrar que eles (os refugiados) também podem ser inseridos neste novo contexto, não como vítimas e sim, como parte de um todo”.

“O Atlético é um time que eu sempre torci desde que cheguei aqui em Curitiba porque o futebol deles é bonito de se ver, com muitos gols, e a torcida é muito legal”, diz o pequeno Danial, que tem apenas quatro anos.

“Quero entrar em campo pelo Atlético para jogar mesmo, como ponta esquerda, para fazer muitos gols e levar meu time à vitória – mas tem que ser com jogadores da minha idade”, completa o menino, entusiasmado pela oportunidade que teve de pisar na grama da Arena da Baixada, em Curitiba, junto com o time.

Além da família Assad, crianças em situação de refúgio vindas da Venezuela, Sudão, El Salvador, Cuba e Angola também participaram da iniciativa, articulada localmente pela Caritas Regional Paraná e pelo Linyon Global Workers, parceiros do ACNUR que atendem pessoas em condição de deslocamento forçado.

Para a jovem venezuelana Dara, recém-chegada a Curitiba, estar no estádio e em campo superou suas expectativas. Ela conta que “não imaginava que a dimensão desse jogo fosse algo tão grandioso”.

“Os gritos da torcida, o verde do campo. Valeu muito a pena ter vindo aqui.”

O pai do pequeno Henato, Zakaria, também se emocionou ao ver seu filho sudanês entrar com os jogadores. Ao longo da partida, Henato foi se soltando aos poucos, ao som dos gritos da torcida. A felicidade ficou ainda maior quando ele reconheceu o autor de dois gols do Atlético.

“Pai, sabe aquele jogador ali? Foi com ele que eu entrei em campo. Dei sorte, né? Ele perguntou de onde eu era, conversamos um pouquinho”, comentou.

O ACNUR lembra o papel fundamental que os diferentes segmentos da iniciativa privada, incluindo os times de futebol, podem desempenhar para facilitar a integração de refugiados à sociedade brasileira.

Segundo o organismo internacional, as negociações com o Atlético continuarão para que outros projetos sejam implementados, mobilizando o esporte como um elemento estratégico para a garantia de direitos.

Doações de indivíduos e empresas para o ACNUR podem ser feitas pela página doar.acnur.org.