Evento reuniu representantes das Nações Unidas e de governos, líderes religiosos e outros parceiros para pedir o respeito às diferenças e aos direitos humanos. Campanha é liderada pelo UNAIDS. Cerimônia contou com a participação de dois netos de Nelson Mandela.
Evento reuniu representantes das Nações Unidas e de governos, líderes religiosos e outros parceiros para pedir o respeito às diferenças e aos direitos humanos. Campanha é liderada pelo UNAIDS. Cerimônia contou com a participação de dois netos de Nelson Mandela.

Exemplo do tolerância: no destaque, o babalaô Ivanir dos Santos, liderança religiosa brasileira e integrante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, durante um momento de celebração católica. Ele lembrou que o candomblé e a umbanda foram alvo mais uma vez de intolerância religiosa por parte de um juiz no Rio de Janeiro. Foto: UNIC Rio/Gustavo Barreto
A ONU alertou nesta sexta-feira (23) para uma crise crescente em relação ao aumento da discriminação em todo o mundo, pedindo que a “tolerância brasileira” seja usada como modelo para combater o problema. Em parceria com a Arquidiocese do Rio de Janeiro e outros parceiros, a Organização promoveu uma solenidade na estátua do Cristo Redentor, tradicional ponto turístico da cidade.
Segundo o diretor executivo adjunto do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e secretário-geral adjunto da ONU, Luiz Loures, existe um progresso inquestionável em relação à resposta à epidemia de aids. “A questão não é mais o vírus. Nós temos a tecnologia, temos o conhecimento para levar essa epidemia ao fim. O que nos barra hoje é exatamente a discriminação e o estigma. E, neste momento, ela cresce”, disse.
Loures afirmou que existe uma “nova onda de discriminação” a nível mundial. “O que buscamos no Brasil não é só a visibilidade – os olhos do mundo estão no Brasil neste momento pela Copa do Mundo –, mas também a tolerância brasileira, com a tolerância dos brasileiros como uma lição para outros países e outras regiões do mundo onde essa tolerância é cada vez menor”, explicou.
A cerimônia é parte da campanha global ‘Zero Discriminação’ do UNAIDS – cujo objetivo é promover uma sociedade sem estigma – e da campanha ‘Somos Todos Iguais’, da Reitoria do Cristo Redentor e da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que busca promover o respeito aos direitos humanos.
No Rio de Janeiro, o coordenador da campanha ‘Zero Discriminação’ é o mobilizador social Márcio Tadeu Ribeiro Francisco, professor das universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Veiga de Almeida (UVA), ambas apoiadoras do evento. “A pior discriminação é a falta de respeito ao outro, e o Papa Francisco pede que nós usemos as redes sociais e os meios de comunicação para falar do amor ao próximo”, lembrou Márcio Tadeu.
“Brasil reflete muito do mundo”, diz neto de Mandela
O evento contou com a presença de dois netos de Nelson Mandela, Ndaba e Kweku Mandela. “Nós temos que nos manifestar contra a discriminação e temos, também, que nos envolver em programas nos quais possamos educar os jovens”, afirmou Ndaba, que fundou, ao lado de Kweku, a organização sem fins lucrativos “Africa Rising”, cujas ações são voltadas principalmente aos mais jovens com o objetivo de dar início a uma nova geração de africanos.
“Hoje, nós estamos olhando para a discriminação contra a mulher. Quando há violência doméstica, quando um homem bate em uma mulher, ele pode ir para a cadeia. Por que, então, quando há discriminação contra os negros não há pena de prisão? Acho que precisamos de medidas mais severas para que possamos punir as pessoas que discriminam os outros, criminalizando a discriminação”, acrescentou Ndaba.
Na opinião de Kweku Mandela, há muitos tipos de discriminação em todo o mundo, particularmente contra as comunidades menores. “Precisamos aprender a tratar os outros como tratamos a nós mesmos”, afirmou. Segundo ele, usar essas mensagens simples e ampliá-las entre outras comunidades “é o caminho pelo qual vamos ser capazes de dar início à mudança”.
“[É importante falar sobre a discriminação] não só porque o Brasil sediará a Copa do Mundo, mas também porque o Brasil reflete muito do mundo. Há [no Brasil] muitas pessoas de diferentes culturas, origens, cores de pele diferentes. Se conseguirmos avançar aqui no Brasil, definitivamente podemos avançar em todo o mundo”, disse Kweku.
O arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani Tempesta, nomeado cardeal pelo Papa Francisco em fevereiro deste ano, também participou do encontro. “O mundo que nós desejamos e queremos é um mundo em que as pessoas possam transitar, ir e vir de tal maneira que não se sinta ameaçado pelo seu modo de pensar, pela sua religião, pelas suas ideias, pela doença que traz, mas seja uma vida em que a dignidade aconteça. É o conhecimento, é a fraternidade, é o amor ao próximo que faz a diferença”, disse.
Participaram da cerimônia, entre outras autoridades, Sônia Regina Gonçalves, representando as comunidades do Rio de Janeiro; o monsenhor Robert Vitillo, da Cáritas Internacional; o babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro; o reitor do Cristo Redentor, padre Omar Raposo; o vigário episcopal para a Comunicação Social, cônego Marcos William Bernardo; representantes do Ministério da Saúde; entre outros representantes de esferas governamentais e da sociedade civil.
Sobre a campanha Zero Discriminação
Lançada pelo UNAIDS em 2014, a campanha ‘Zero Discriminação’ tem como meta combater estigma que impeça o direito a uma vida plena, digna e produtiva. Segundo a agência da ONU, a discriminação é uma grave violação aos direitos humanos, além de ser ilegal, imoral, ofensiva e desumana. A borboleta da campanha – símbolo de um processo de transformação – representa o compromisso em assumir um comportamento aberto à diversidade e à tolerância.
Liderada pela porta-voz do UNAIDS para a Zero Discriminação e vencedora do prêmio Nobel da Paz Daw Aung San Suu Kyi, a iniciativa consagrou o dia 1º de março como Dia de Zero Discriminação, buscando mobilizar jovens, comunidades, organizações religiosas e defensores dos direitos humanos, entre outros, para a promoção da inclusão e do respeito a esses direitos inalienáveis.
Acompanhe a campanha no Brasil pelos sites unaids.org.br e facebook.com/unaids.br