Em sua primeira missão, chefe do ACNUR elogia Turquia pelo acolhimento de 2,5 milhões de sírios

Novo alto comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi visitou vários campos de refugiados próximo à fronteira síria. Turquia é hoje o país que mais hospeda refugiados no mundo.

Mãe síria Fatma e sua filha Farah, sentadas ao lado do vice-governador da província de Gaziantep, Halil Uyumaz, seu marido Ahmed e Felippo Grandi no campo de refugiados Nizip II, na Turquia. Foto: ACNUR/ E.Gürel

Mãe síria Fatma e sua filha Farah, sentadas ao lado do vice-governador da província de Gaziantep, Halil Uyumaz, seu marido Ahmed e Felippo Grandi no campo de refugiados Nizip II, na Turquia. Foto: ACNUR/ E.Gürel

“Uma visita ao país que está na linha de frente da maior crise de refugiados do mundo”. Essas foram as palavras do novo alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, em sua primeira visita oficial a campos de refugiados da Turquia, próximo à fronteira com a Síria.

O sudeste da Turquia é lar de mais de um milhão de refugiados sírios, dentre eles, 220 mil em campos de refugiados. A própria Turquia recebeu 2,5 milhões de sírios e centenas de milhares de outras pessoas, principalmente provenientes do Iraque. A Turquia é o país que mais hospeda refugiados no mundo.

Nos campos de Nizip I e II, lar de quase 16 mil refugiados, dos quais alguns deixaram seus respectivos países de origem há quatro anos. Para Grandi justificou esta primeira missão como chefe do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) tem a intenção de mostrar ao mundo a mensagem que a Turquia está fazendo um trabalho maravilhoso, lidando com um enorme número de pessoas forçadamente deslocadas. O objetivo de sua visita foi conhecer e conversar com famílias refugiadas.

Em Nizip II, um acampamento com cerca de 4.900 moradores, ele foi recebido por Fatma, Ahmed e seus três filhos. Dois outros filhos foram mortos por estilhaços quando a família estava à procura de segurança perto de Aleppo. Traumatizada, a família decidiu deixar a a Síria há três anos.

“Eu perguntei a Fatma se ela gostaria de voltar à Síria e ela não hesitou. Ela disse com certeza, mas somente quando a paz chegasse ao país”, disse Grandi em um vídeo. “Então, a paz tem que vir para estas pessoas. A situação já se arrasta assim há muito tempo. Mas eu estou contente de começar as visitas a partir daqui. Isso me dá um sentimento de desespero, mas também dá esperança para as possibilidades de tempos melhores, se a política for conduzida na direção certa.”

Esperança do retorno seguro

No final da estrada Nizip I há um acampamento, inaugurado há quatro anos. Ele agora abriga 10.800 refugiados, 55% das quais são crianças.

Emra é uma viúva criando três dessas crianças. Ela deixou a Síria há um ano depois que seu marido foi morto na guerra. Um de seus meninos, Mohammed, é surdo e mudo. Ele também tem uma condição crônica que deixou suas pernas atrofiadas e rígidas.

“Eu não poderia ficar mais tempo”, disse a mãe. “Eu tive um filho portador de necessidades especiais e não tenho dinheiro. Eu tive que vir à Turquia para salvar meus filhos”.

Em resposta à pergunta do alto comissário, ela disse que o acampamento, administrado pelo Governo turco, fornece vale alimentação e propicia que seu filho vá a um hospital em Gaziantep para fazer o tratamento.

“Ela nos faz lembrar, afinal, que se trata de pessoas sofrendo situações inimagináveis”, disse Grandi. “Mas elas são fortes”.

Os campos de refugiados, administrados pelas autoridades turcas e apoiados pelo ACNUR, tornaram-se parte da estrutura da Turquia. Segundo o alto comissário, os refugiados estão sendo bem cuidados neste país. Mas suas vidas, fora de seu país de origem, são vidas pela metade. Como chefe do ACNUR, Grandi espera que o término da guerra possa permitir que essas pessoas voltem a desfrutar de uma vida novamente plena.