Charles Taylor disse ter sentido “tristeza e profundo pesar pelas atrocidades e crimes” cometidos durante a guerra civil na década de 1990. Procuradora recomenda 80 anos de prisão.
O ex-presidente liberiano Charles Taylor disse na quarta-feira (16/05) à Corte Especial de Serra Leoa (SCSL), apoiada pelas Nações Unidas, que sentiu “tristeza e profundo pesar pelas atrocidades e crimes” cometidos durante a guerra civil em Serra Leoa na década de 1990, mas negou ter ajudado os rebeldes que cometeram os abusos.
Na audiência realizada em Haia, na Holanda, Charles Taylor pediu que “reconciliação e cura, não retribuição, sejam os princípios orientadores” para determinar sua sentença, que deve ser proferida em 30 de maio.
A Procuradora Brenda Hollis afirmou que Charles Taylor teve uma “participação voluntária e entusiasmada” nos crimes, e que sua “posição de liderança e traição de cargos de confiança” são suficientes para justificar uma longa sentença, recomendando a pena de 80 anos na prisão.
A SCSL proferiu sentença condenatória contra Charles Taylor em 26 de abril por participação no planejamento e cumplicidade em crimes de guerra e contra a humanidade, somando 11 acusações, incluindo pilhagem, escravidão para fins de casamento forçado, punição coletiva e recrutamento e uso de crianças-soldado. As acusações indicavam apoio a dois grupos rebeldes – Conselho Revolucionário das Forças Armadas e Frente Revolucionária Unida – durante a guerra civil.
A Corte foi criada pelo Governo da Serra Leoa junto com as Nações Unidas em 2002 e tem mandato para julgar violações de direito humanitário no país.