Em Uganda, ONU participa do Dia da África para a Segurança Alimentar e Nutricional

Segundo Relatório Global sobre Nutrição, 58 milhões de crianças de até cinco anos estão abaixo da estatura esperada na África, outras 13,9 milhões abaixo do peso e outras 10,3 milhões com sobrepeso.

Primeiro-ministro de Uganda, Ruhakana Rugunda. Foto: ONU

Primeiro-ministro de Uganda, Ruhakana Rugunda. Foto: ONU

Representantes de governos, agências da ONU e sociedade civil se reuniram na semana passada em Kampala, Uganda, para uma série de eventos em comemoração ao 6º Dia da África para a Segurança Alimentar e Nutricional.

O Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU participou de reunião de alto nível convocada pela Comissão da União Africana e pelo Painel Global sobre Sistemas de Agricultura e Alimentação para a Nutrição, com a participação do primeiro-ministro de Uganda, Dr. Ruhakana Rugunda.

Peter Rodrigues, vice-diretor do Centro, fez uma apresentação sobre parcerias para viabilizar programas de alimentação escolar com compras locais de alimentos. Ele apresentou como o Brasil envolveu diferentes setores para formular políticas públicas e os papéis de instituições governamentais, legisladores, sociedade civil, nutricionistas, escolas e agricultores familiares na implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar. O destaque foi como um programa bem formulado, implementado e regulado pode contribuir para o crescimento do país.

Os participantes ficaram interessados em entender os procedimentos da cooperação oferecida pelo Centro. Ficaram curiosos sobre as missões de estudo organizadas pelo Centro e a assistência técnica para ajudar os países a planejar consultas nacionais e elaborar programas, políticas e leis.

O Dia da África para a Segurança Alimentar e Nutricional foi declarado em julho de 2010 em Kampala, durante a 15ª Sessão Ordinária da Cúpula da União Africana, que também aprovou sua comemoração todo 30 de outubro.

A reunião de alto nível examinou as iniciativas da Comissão da União Africana e do painel global para vincular políticas agrícolas a resultados de nutrição. Além disso, estimulou a discussão sobre ações políticas-chave em agricultura e outros setores para melhorar a nutrição na África.

O continente africano está sofrendo com a desnutrição: 58 milhões de crianças de até cinco anos estão abaixo da estatura esperada e 13,9 milhões, abaixo do peso. Outras 10,3 milhões de crianças do mesmo grupo etário sofrem com o sobrepeso. Estas informações foram divulgadas durante o evento, quando o primeiro-ministro de Uganda e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançaram o Relatório Global sobre Nutrição.

O relatório aponta que as forças que causam a desnutrição são poderosas e multissetoriais, portanto são necessárias ações poderosas e amplas. Essas ações incluem ambientes políticos favoráveis para a redução da desnutrição, assegurar que as intervenções de nutrição alcancem as pessoas que realmente precisam, o recrutamento de mais setores para as iniciativas de nutrição, a promoção da alimentação saudável e a ampliação dos recursos para a nutrição.

O primeiro-ministro Rugunda liderou uma discussão sobre três áreas de ação estratégias. A primeira foi a necessidade de contemplar temas de nutrição nos planos nacionais de investimento em agricultura e segurança alimentar. A segunda foi a importância de desenvolver sistemas nacionais de medição e monitoramento de dietas e resultados de nutrição para avaliar o impacto das políticas públicas. A terceira foi a ação de uma abordagem intersetorial para garantir que as políticas agrícolas de melhoria da nutrição sejam complementadas e apoiadas por políticas de mercado, educação para o consumo e proteção social.

O primeiro-ministro disse que os governos africanos devem reconhecer que o custo da fome é multidimensional e requer ações multidimensionais. Ele ainda destacou que o Dia da África para a Segurança Alimentar e Nutricional é uma boa oportunidade para refletir sobre os avanços, aprender e compartilhar experiências. “Juntos nós podemos chegar à fome zero”, afirmou.