Em visita à Arábia Saudita, secretário-geral da ONU debate crises no Iêmen e Líbia

Secretário-geral da ONU, António Guterres, se reuniu com ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita e declarou ter tido “discussões muito importantes e construtivas sobre o Iêmen e a Líbia”. Eles também falaram sobre a Síria e o Iraque.

O número de pessoas em insegurança alimentar no Iêmen aumentou em 3 milhões em sete meses, com cerca 17,1 milhões de civis atualmente passando fome no país – mais de dois terços da população total de 27,4 milhões.

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU / Mark Garten

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU / Mark Garten

Em visita à Arábia Saudita, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do país e afirmou ter tido “discussões muito importantes e construtivas sobre o Iêmen e a Líbia”.

Os dois debateram possíveis soluções políticas para os dois países em crise, além de falarem também sobre a Síria e o Iraque. Após o encontro, Guterres concedeu declarações a jornalistas na capital saudita, Riade.

“Tivemos a oportunidade de ter discussões muito importantes e muito construtivas em relação às possíveis soluções políticas futuras para o Iêmen, para a Líbia, e quero expressar mais uma vez minha profunda apreciação pela hospitalidade que me foi concedida e pelo diálogo que foi possível durante esta visita”, disse o chefe da ONU.

Além disso, Guterres expressou seu profundo apreço pelo trabalho que o governo da Arábia Saudita fez para ajudar a oposição síria a se reunir, a fim de apresentar uma delegação única durante a conferência de Genebra, que acontece a partir do dia 20 de fevereiro.

“Este é um passo muito importante para que uma solução política seja possível para o conflito sírio”, frisou.

Segundo Guterres, a Arábia Saudita é um pilar para a estabilidade da região e para o multilateralismo.

Sobre o Iêmen, o secretário-geral destacou a necessidade reativar as negociações, a fim de se chegar a uma solução para o povo iemenita. “Ver o povo do Iêmen, que é tão generoso, sofrendo tanto, é algo que realmente quebra o meu coração.”

A passagem por vários países árabes é a primeira grande viagem do secretário-geral da ONU desde que assumiu o cargo, no dia 1º de janeiro. Antes da Arábia Saudita, ele esteve na Turquia e, a partir dessa segunda-feira (13), passará por Omã, Catar e Egito.

Mais de 17 milhões de civis em insegurança alimentar no Iêmen

O número de pessoas em insegurança alimentar no Iêmen aumentou em 3 milhões em sete meses, com cerca 17,1 milhões de civis atualmente passando fome no país – mais de dois terços da população total de 27,4 milhões.

O alerta foi feito na sexta-feira (10) por três agências da ONU: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“A velocidade com que a situação está se deteriorando e o enorme salto [no número] de pessoas com insegurança alimentar é extremamente preocupante”, disse o representante da FAO no Iêmen, Salah Hajj Hassan, em comunicado à imprensa.

Cerca de 200 famílias deslocadas vivem em um abrigo informal em Dharwan, no Iêmen. Foto: ACNUR/ Mohammed Hamoud

Cerca de 200 famílias deslocadas vivem em um abrigo informal em Dharwan, no Iêmen. Foto: ACNUR/ Mohammed Hamoud

“Levando em consideração que a agricultura é a principal fonte de alimentação da maioria da população, a FAO pede urgentemente fundos para aumentar o seu apoio aos agricultores, pastores e comunidades agrícolas do país”, continuou.

De acordo com os resultados preliminares da avaliação realizada pelas agências, das 17,1 milhões de pessoas com insegurança alimentar, cerca de 7,3 milhões são consideradas em necessidade de assistência emergencial.

“Estamos testemunhando um dos maiores números de desnutrição entre as crianças no Iêmen nos últimos anos”, disse a representante do UNICEF para o país, Meritxell Relano.

Ela alertou que as crianças que estão severamente desnutridas têm 11 vezes mais chances de morrer do que os menores de idade saudáveis.

“Mesmo que sobrevivem, essas crianças correm o risco de não cumprir seu potencial de desenvolvimento, representando uma séria ameaça para toda uma geração no Iêmen, e mantendo o país atolado em um círculo vicioso de pobreza e baixo desenvolvimento”, disse.

O diretor do PMA no Iêmen, Stephen Anderson, também alertou para a gravidade da situação. “O atual nível de fome no país é sem precedentes, o que está se traduzindo em severas dificuldades e consequências humanitárias negativas para milhões de iemenitas, afetando especialmente grupos vulneráveis.”

“A agência da ONU pede urgentemente apoio para fornecer alimentos para as 7 milhões de pessoas que sofrem de uma grave insegurança alimentar e podem não sobreviver a esta situação por muito mais tempo”, acrescentou Anderson.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) informou que os combates nos distritos de Al Mokha e Dhubab, na província ocidental de Taizz, estão se espalhando para os distritos de Al Wazi’iyah e Mawza.

“Como resultado, mais de 34 mil pessoas fugiram de suas casas”, disse o porta-voz do ACNUR, William Spindler, a jornalistas em Genebra.