Em visita a Cuba, diretor-geral da FAO destaca avanços do país na luta contra a fome

Segundo a agência da ONU, Cuba tem situação de segurança alimentar comparável ao de países desenvolvidos, com um índice de desnutrição de menos de 5% da população. Em reunião com Raúl Castro, Graziano da Silva também discutiu cooperação regional.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, e o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, discutiram formas de aumentar a cooperação entre a agência da ONU e o país caribenho. Foto: TV Yumurí de Cuba

O presidente de Cuba, Raúl Castro, e o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, discutiram formas de aumentar a cooperação entre a agência da ONU e o país caribenho. Foto: TV Yumurí de Cuba

O Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, reconheceu no último sábado (4) os esforços de Cuba para garantir a segurança alimentar da população, durante a reunião realizada na sexta-feira (3) à tarde com o presidente Raul Castro.

“Cuba é um dos dezesseis países do mundo que já atingiram a meta da Cúpula Mundial da Alimentação de reduzir pela metade o número absoluto de pessoas com fome. Isso tem sido possível graças à prioridade que o governo tem dado para garantir o direito à alimentação e as políticas que implementou”, disse Graziano da Silva em sua primeira visita à ilha desde que assumiu o cargo.

Cuba tem hoje uma situação de segurança alimentar comparável ao de países desenvolvidos, com um índice de desnutrição de menos de 5% da população.

Cuba e outros países que já atingiram a meta antes do prazo de 2015 receberão um certificado reconhecendo a sua realização durante cerimônia no dia 16 de junho, em Roma, durante a Conferência da FAO.

Os países que já atingiram a meta definida na Cúpula são Armênia, Azerbaidjão, Chile, Cuba, Fiji, Geórgia, Gana, Guiana, Nicarágua, Peru, Samoa, São Tomé e Príncipe, Tailândia, Uruguai, Venezuela e Vietnã.

Erradicação da fome

A Conferência da FAO também deve aprovar uma mudança no objetivo geral da Organização: “reduzir” para “erradicar” a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição.

De acordo com Graziano da Silva, o ex-presidente de Cuba Fidel Castro foi um dos primeiros a defender essa meta.

O diretor-geral lembrou a chamada feita por Fidel Castro na Cúpula Mundial da Alimentação de 1996, que definiu a meta de reduzir o número absoluto de pessoas que passam fome pela metade, para que os países fossem ‘mais ousados’.

Apoio à CELAC

A visita da Graziano a Cuba foi um compromisso assumido na última Cúpula da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe com a União Europeia (CELAC-UE), realizada em Santiago do Chile em janeiro de 2013. Na ocasião, o diretor-geral da FAO e o presidente de Cuba — país que detém a presidência pro-tempore da CELAC — comprometeram-se a trabalhar juntos para manter a segurança alimentar como uma prioridade na agenda política na região, como parte da Iniciativa América Latina e Caribe Sem Fome 2025.

Graziano da Silva destacou a importância de garantir o direito à alimentação. “Não pode haver verdadeiro desenvolvimento enquanto há 49 milhões de pessoas sofrem de fome na América Latina e no Caribe.”

O diretor-geral da FAO afirmou que observou uma mudança profunda na região nos últimos anos. “Antes era difícil para um governo falar de fome. Hoje, no entanto, vemos o nascimento de um forte compromisso político, no mais alto nível, para sua erradicação. Este é o primeiro passo, e mais importante, para avançar.”

O brasileiro destacou que este compromisso foi traduzido com sucesso em políticas, programas e leis de segurança alimentar nos países, como o programa ‘Fome Zero’ do Brasil, a ‘Cruzada Contra a Fome’ no México e a incorporação de Antígua e Barbuda no Desafio Fome Zero, lançado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, na Cúpula Rio+20.

Além disso, Graziano da Silva disse que esta foi a primeira região do mundo a se comprometer com a erradicação total da fome através da Iniciativa América Latina e Caribe Sem Fome 2025.

Agricultura em torno de pessoas

Além de outras autoridades cubanas, Graziano da Silva visitou Vivero Alamar, uma cooperativa de agricultura urbana que tem 185 funcionários — sendo 45 mulheres e cerca de 60 pessoas idosas. “Trouxemos a agricultura para a cidade, tão perto das pessoas, com uma produção totalmente orgânica”, disse o presidente do sindicato, Miguel Angel Salcines.

A cooperativa produz cerca de 300 espécies e comercializa mais de 50 produtos, incluindo legumes, frutas, plantas ornamentais e produção de biopesticidas e outros insumos biológicos, em cooperação com a FAO.