Em visita à Líbia, chefe da ONU pede fim de disputas políticas como meio para acabar com o conflito

“O país não pode permitir essa divisão política por muito mais tempo. Para qualquer avanço político se manter, é preciso que as disputas acabem”, disse Ban Ki-moon.

Foto: ONU/Giovanni Diffident

Foto: ONU/Giovanni Diffident

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, viajou a Trípoli na sexta-feira (14) para pedir o estabelecimento de diálogos de paz entre todas as partes envolvidas no conflito líbio e o fim das mortes, deslocamentos e destruição no país.

Graças aos esforços realizados pelo enviado especial do secretário-geral ao país, Bernandino Leon, e pela Missão da ONU na Líbia (UNSMIL), os parlamentários líbios decidiram restabelecer o diálogo em 29 de setembro, o que significa um primeiro passo para resolver a crise que vem dividindo o país.

O encontro com Ban reuniu o vice-presidente da Câmera de Deputados da Líbia e outros parlamentares, bem como outros representantes que boicotavam as sessões e enviados especiais do Reino Unido, França e Malta, além do ministro de Relações Exteriores da Itália e o representante da ONU.

“O país não pode permitir essa divisão política por muito mais tempo. Para qualquer avanço político se manter, é preciso que as disputas acabem”, disse Ban, pedindo que o Parlamento reconheça as necessidades de toda a população líbia para ganhar legitimidade.

“Sabemos que vocês não têm autoridade direta sobre os grupos armados, mas fortalecer suas instituições políticas aumentará sua autoridade moral e fará vocês ganharem uma forte apoio da comunidade internacional”, disse o secretário-geral.

Reafirmando que uma intervenção militar não resolverá a crise líbia, o chefe da ONU indicou que a comunidade internacional não tolera os deslocamentos provocados de milhares de líbios, que levados pelo desespero acabam falecendo na travessia do Mediterrâneo rumo a Itália ou a Malta.

Ban prometeu manter o compromisso da Organização com a população e afirmou que as agências, fundos e programas da ONU estão fazendo tudo ao seu alcance para ajudar aos civis.

A proliferação de armas no país e o alastramento do terrorismo também constituem um tema de preocupação nacional e internacional, afirmou o secretário-geral, repetindo que “ações militares podem matar os terroristas, mas apenas a boa governança, o diálogo político inclusivo e o desenvolvimento derrotarão o terrorismo”.