Em visita à RD Congo, chefe da ONU afirma que é preciso dar esperança aos jovens

Em uma visita de dois dias ao país, Ban Ki-moon destacou a importância de as crianças voltarem a frequentar as escolas. Com cerca de 60 milhões de refugiados e deslocados internos no mundo, ele pediu ajuda dos países membros para resolver a crise mundial de migrantes.

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Em visita de dois dias à República Democrática do Congo (RDC), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, visitou o campo de deslocados internos em Kivu do Norte, na terça-feira (23), e participou da Conferência de Investimento do Setor Privado da região, na quarta-feira (24). No alojamento de deslocados, o chefe da ONU reiterou seu pedido por apoio dos Estados-membros para resolver as questões humanitárias globais, como a crise de refugiados e de migrantes.

O número de deslocados internos e refugiados no mundo já passa dos 60 milhões – o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Para abordar o problema, a ONU organizará a Conferência Mundial Humanitária em Istambul, Turquia – a primeira conferência sobre migração e questões sobre refugiados do mundo, que acontecerá em setembro deste ano.

No entanto, Ban destacou que precisa do apoio dos Estados-membros para superar esses desafios, já que a ONU não pode fazer isso sozinha. “Nenhum país pode resolver todos esses problemas sozinho”, acrescentou.

Ele destacou que é preciso fazer mais para dar esperança e educação aos jovens, além de proteger os direitos humanos e a dignidade de mulheres e meninas contra a violência sexual.

O chefe da ONU também falou sobre a falta de recursos das autoridades de Kivu do Norte para manter alguns campos de deslocados internos na região, reiterando que a Organização irá trabalhar com os governos locais para dar assistência às pessoas que precisam.

Destacando também o mandato das forças de paz das Nações Unidas de proteger os civis, principalmente meninas e mulheres, Ban enfatizou que esta é a “prioridade número um das forças de manutenção de paz da ONU”, ressaltando que, no entanto, há limites nestas operações.

Paz e desenvolvimento são ‘dois lados da mesma moeda’

Na quarta-feira (24), o secretário-geral participou da sessão de abertura da Conferência de Investimento do Setor Privado na região africana dos Grandes Lagos, na capital da RDC, Kinshasa. A reunião reuniu agentes do setor público e privado com interesses atuais e futuros na região.

Os participantes se reuniram para compartilhar experiências e sublinharam a importância de atrair investimento privado, de promover a atividade de comércio e melhorar a cooperação econômica e integração na região.

Para o chefe da ONU, os líderes reconheceram que a paz e o desenvolvimento são “dois lados da mesma moeda”. “A falta de trabalho e oportunidades cria um terreno fértil para o conflito – e o conflito em si é o maior obstáculo para o desenvolvimento humano”, explicou.

Dirigindo-se aos governos da região, Ban Ki-moon pediu a construção de um ambiente que garanta que as operações comerciais e investimentos aconteçam de forma responsável, sustentável e previsível.

A conferência veio em um momento “particularmente oportuno”, destacou Ban, quando todos os países da ONU adotaram, há alguns meses, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, no qual os líderes mundiais se comprometeram a acabar com a pobreza até 2030, enfrentar a desigualdade e levar educação de qualidade para todos, entre outros objetivos.