O secretário-geral Ban Ki-moon lembrou a célebre frase de seu predecessor sueco, Dag Hammarskjöld: “a ONU não foi criada para levar os homens para o céu, mas para salvar a humanidade do inferno”. O chefe da ONU pediu à Suécia que continue se empenhando para reagir com solidariedade à atual crise de populações deslocadas.

Segundo Ban Ki-moon, refugiados “fogem do inferno” para tentar sobreviver em outros países. Foto: ACNUR / Andrew McConnell
Em visita à Suécia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, destacou nesta quarta-feira (30) que as populações deslocadas por conflitos “precisam da nossa ajuda em um espírito de responsabilidade global compartilhada”. Segundo o chefe da ONU, o fluxo de migrantes e refugiados é um dos desafios e tendências principais do nosso tempo.
Durante sua passagem pelo país, o chefe da ONU deu uma palestra organizada pela Fundação Dag Hammarskjöld – nome do ex-secretário-geral sueco das Nações Unidas que ocupou o posto de 1953 até 1961, quando morreu em um acidente de avião, durante uma missão de paz no Congo.
“Estamos mais conectados do que nunca. Mais pessoas do que nunca moram nas cidades. Novas potências econômicas estão emergindo. Há mais de três vezes o número de Estados-membros do que havia na época de Hammarskjöld. Novas ameaças surgiram”, afirmou Ban Ki-moon em seu pronunciamento.
O dirigente máximo das Nações Unidas lembrou a frase célebre de seu predecessor, que disse que a ONU “não foi criada para levar os homens para o céu, mas para salvar a humanidade do inferno”.
Os atuais milhões de refugiados “fugiram do inferno”, ressaltou Ban Ki-moon, e precisam da ajuda de todos. “Esse não pode ser um mundo de ‘nós e eles, tem de ser um mundo de ‘nós, os povos’”.
De acordo com o secretário-geral, a crise de populações deslocadas é uma das áreas onde a contribuição de países como a Suécia são cruciais. Outros desafios para os quais Ban Ki-moon solicitou o apoio da nação europeia incluem a busca pelo desenvolvimento sustentável, o aprimoramento da paz e da segurança e o fortalecimento das Nações Unidas.
“Eu sei que existem tensões e dificuldades no acolhimento de grandes números de refugiados, mas fiquei profundamente comovido pelas muitas histórias sobre a hospitalidade e a boa vontade suecas. Minha mensagem para a Suécia é: continuem se empenhando pela solidariedade. Tomem uma oposição contra narrativas negativas e nativistas”, ressaltou.
Ban Ki-moon elogiou ainda o papel proeminente da Suécia em defesa dos direitos das mulheres. O país foi o primeiro a indicar uma representante permanente junto às Nações Unidas, a dirigente Agda Rössel, em 1958. Em 2000, a nação apoiou a adoção da resolução 1325 pelo Conselho de Segurança, que reconhece a importância das mulheres para a manutenção da paz e da segurança.
“Hoje, sua política externa feminista está trazendo novas vozes para a mesa (de negociações)”, elogiou o secretário-geral.