O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou a associação estratégica integral de seu país com a América Latina e o Caribe para fomentar o desenvolvimento de suas populações nas atuais circunstâncias mundiais. As declarações foram feitas durante visita à sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile.

O presidente chinês, Xi Jinping, durante visita á CEPAL, acompanhado pela presidente do Chile, Michelle Bachelet (esquerda), e da secretária-executiva do órgão, Alicia Bárcena.
Foto: CEPAL/Carlos Vera
O presidente da China, Xi Jinping, reafirmou na terça-feira (22) a associação estratégica integral de seu país com a América Latina e o Caribe para fomentar o desenvolvimento de suas populações nas atuais circunstâncias mundiais. As declarações foram feitas durante visita à sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile.
A máxima autoridade do país asiático inaugurou na sede da comissão regional das Nações Unidas a Cúpula de Líderes de Meios de Comunicação, encontro do qual participam mais de 100 representantes de veículos da imprensa de 24 países latino-americanos e da China. O evento ocorre até esta quinta-feira (23).
A cerimônia inaugural teve a participação da presidente do Chile, Michelle Bachelet, e da secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, entre outras autoridades e convidados.
“As aspirações compartilhadas nos unem, apesar de estarmos longe. As trocas entre os meios de comunicação é parte importante dos laços entre China e América Latina e Caribe. Os veículos podem fazer um grande trabalho para dar continuidade e impulsionar a amizade entre as partes”, declarou Xi Jinping.
Nesse sentido, o presidente chinês apresentou uma proposta para fomentar a troca entre os veículos de imprensa: primeiro, apoiar-se mutuamente para potencializar sua influência nas duas regiões. Ele sugeriu que os veículos apoiem-se nas novas tecnologias e na Internet para mostrar a realidade chinesa e latino-americana, deixando claro suas posições em temas como paz e desenvolvimento e na defesa dos interesses comuns dos países em desenvolvimento.
Em segundo lugar, pediu para as empresas de mídia impulsionarem a confiança entre os países, promovendo modelos de cooperação com espírito inovador. E, por último, pediu o fomento das trocas mútuas entre os meios de comunicação, proposta que incluiu um convite do presidente para que mais veículos latino-americanos e caribenhos abram sucursais na China e que um maior número de jornalistas estude no país asiático.
O presidente chinês elogiou a CEPAL por desempenhar um papel relevante no impulso à cooperação entre China e países de América Latina e Caribe. “Espero que possa continuar apresentando mais resultados e estudos baseados nas experiências acumuladas para promover a articulação de nossas estratégias de desenvolvimento e fazer continuamente novas contribuições para o desenvolvimento de nossos laços”, declarou.
A secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, agradeceu o presidente por ter escolhido visitar o órgão para dividir sua visão sobre as relações entre China e a região. “Sua presença aqui reafirma a proposta visionária que a China outorga à sua relação de amizade com a América Latina”, declarou.
Bárcena afirmou ainda que a visita do presidente Xi Jinping permite repensar os riscos da globalização e ampliar o olhar sobre a relação entre as partes. “É o momento de construir pontes, não muros, de abrir mercados, não fechá-los, de respeitar o diferente, de construir uma casa comum para as gerações porvir”, enfatizou a alta funcionária das Nações Unidas.
Pouco antes, em uma apresentação diante de líderes dos meios de comunicação, Bárcena expôs as principais conclusões do documento “Relações Econômicas entre América Latina e Caribe e China: Oportunidades e Desafios”, que a CEPAL divulgou na terça-feira como motivo da visita do presidente Xi Jinping.
O relatório afirma que o comércio de bens entre América Latina e Caribe e China aumentou 22 vezes desde 2000 e alcançou um teto histórico em 2013, após o qual registrou dois anos consecutivos de queda. Entre 2013 e 2015, o valor das exportações da região caiu 23%, o que pode ser explicado pela desaceleração do crescimento chinês, que repercutiu em uma menor demanda e pronunciadas baixas nos preços das matérias-primas que compõem o grosso da cesta exportadora regional para esse mercado.
Bárcena declarou que, apesar de a China ter superado em 2014 a União Europeia como segundo maior parceiro comercial da região, a cesta exportadora dos países latino-americanos e caribenhos para o gigante asiático é muito menos sofisticada: apenas cinco produtos representaram 69% do valor dos envios regionais para a China em 2015.
A secretária-executiva da CEPAL enfatizou que existem importantes oportunidades para melhorar a qualidade da inserção internacional da América Latina e do Caribe e avançar no Plano de Cooperação 2015-2019 aprovado na Primeira Reunião Ministerial do Fórum China-CELAC, celebrada em Pequim em janeiro de 2015, e que inclui 500 bilhões de dólares de comércio e 250 bilhões de dólares de estoques de investimento estrangeiro direto (IED) recíprocos.
Bárcena afirmou que essas oportunidades permitem repensar conjuntamente a globalização, para obter uma melhor governança econômica e financeira e um multilateralismo comercial sem protecionismo. Também afirmou que dão condições para uma maior segurança climática, paz e estabilidade, colocando a inovação como pilar do desenvolvimento.
A chefe da CEPAL também lembrou a importância de fomentar a ciência e tecnologia da região, incentivando a diversificação produtiva e agregando valor às exportações. Lembrou ainda sobre a necessidade de se promover uma economia inclusiva e sustentável, fortalecendo o regionalismo aberto com mais comércio e investimento, com cooperação em temas de energia, recursos naturais, infraestrutura, indústria, inovação e conectividade.