Encontro da ONU com refugiadas em São Paulo aborda questões de integração e trabalho

Cerca de 20 mulheres discutiram assuntos ligados à igualdade de gênero e inserção de mulheres no mercado de trabalho, bem como formas de abordar os casos de violência contra a mulher.

Durante a atividade “Empoderando Mulheres”, 20 refugiadas que vivem no Brasil discutiram questões ligadas à igualdade de gênero, ao mercado de trabalho e também formas de abordar e prevenir a violência contra a mulher. Foto: ACNUR/Ricardo Jayme

Durante a atividade “Empoderando Mulheres”, 20 refugiadas que vivem no Brasil discutiram questões ligadas à igualdade de gênero, ao mercado de trabalho e também formas de abordar e prevenir a violência contra a mulher. Foto: ACNUR/Ricardo Jayme

Um grupo de cerca de 20 mulheres, todas refugiadas, participaram no início de novembro em São Paulo da atividade “Empoderando Mulheres”, articulada entre o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), a Rede Brasileira do Pacto Global, a ONU Mulheres, o Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR) e a consultoria Fox Time.

O objetivo do encontro foi discutir questões ligadas à igualdade de gênero e inserção de mulheres no mercado de trabalho, bem como formas de abordar os casos de violência contra a mulher. O novo papel predominante assumido por muitas refugiadas no Brasil na geração de renda familiar, a importância do acompanhamento contínuo na integração ao local de trabalho para “prevenir que sejam enganadas” e a crescente informalidade do mercado brasileiro e suas consequências na contratação desse grupo de mulheres também foram questões tratadas no encontro.

A representante da ONU Mulheres, Adriana Carvalho, mostrou a disparidade salarial entre homens e mulheres e, ainda mais, entre brancos e negros. Para a especialista, a diferença salarial pode ser atribuída a uma série de fatores e ainda se agrava no caso das refugiadas: “O fato de ser refugiada já é um status complicado. Em geral, as pessoas já olham com preconceito por que não entendem. E quando junta a questão racial e de gênero, fica ainda mais complicado”. Para ela, fornecer informações precisas sobre direitos trabalhistas e difundir o tema da igualdade de gênero é o melhor caminho para provocar transformações sociais.

“As refugiadas precisam entender que, uma vez estando no Brasil, tanto ela como o agressor estão sujeitos às leis brasileiras. Mesmo que elas venham de um contexto cultural onde a mulher era tratada como submissa ou que a violência física seja tolerada como algo ‘normal’, é importante que elas percebam que nenhum tipo de violência é ‘normal’ e, portanto, é uma situação que precisa ser combatida”, esclareceu a promotora de Justiça Maria Gabriela Prado Manssur, coordenadora do Núcleo de Combate à Violência contra a Mulher do Ministério Público do Estado de São Paulo.

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