Encontro da ONU foca em conquistas, desafios para a paz e o desenvolvimento na África

Evento discutiu objetivos da Agenda 2063, que terá suas metas lançadas em 2015. “Queremos uma África integrada, próspera e pacífica”, disse o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson.

Na imagem (ao centro), o general de divisão brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da força militar da Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO). Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

Na imagem (ao centro), o general de divisão brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da força militar da Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO). Foto: MONUSCO/Sylvain Liechti

“Embora se tenha registrado um grande progresso social e econômico em toda a África, suas economias não mantiveram um ritmo bom, como no caso da baixa oferta de trabalho para os jovens”, disse o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, em uma reunião com os parceiros regionais realizada na segunda-feira (1) na sede da Organização em Nova York.

“O desemprego não é apenas um desafio econômico. Ele é também social, psicológico e político”, disse Eliasson durante a coletiva de imprensa do evento organizado pelas Comunidades Econômicas Regionais Africanas (CERs).

Intitulado O papel das CERs na consolidação da paz, segurança, governança e desenvolvimento no contexto da Agenda 2063, a iniciativa foi organizada pelo escritório do assessor especial para a África em parceria com a Missão de Observação Permanente da União Africana na ONU e o Departamento Regional para a África do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O vice-secretário-geral da ONU disse que o plano da Agenda 2063 precisa ser moldado em torno de uma maior integração regional, o que exige o aumento da competitividade das economias africanas. O processo também deve ser apoiado por grandes investimentos em desenvolvimento humano, ciência, tecnologia e infraestrutura.

Ele ressaltou que o comércio entre os países africanos continua a ser limitado, principalmente porque eles não têm ferrovias, estradas e infraestrutura adequada. Muitas economias africanas também são deficientes na diversidade econômica, produtividade e instituições bem-sucedidas.

No entanto, ressaltou que alguns países africanos cresceram muito graças à liderança de governos africanos, da União Africana, das CER e da Comissão Econômica das Nações Unidas para África (ECA).

Embora mais crianças estejam frequentando a escola e tenham sido vistos grandes avanços na capacitação e igualdade de gênero das mulheres, o continente africano está longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Eliasson também destacou o impacto do ebola na África Ocidental, o aumento de segurança e necessidade humanitária de países do continente, especialmente em Mali, Sudão do Sul, República Centro-Africana, norte da Nigéria e Somália, enfatizando que a situação política na Líbia está ficando cada vez mais perigosa e que o Lesoto enfrenta um impasse político arriscado.

“A Agenda 2063 incorpora um compromisso renovado por parte da liderança política da África para alcançar a meta de uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada por seus próprios cidadãos e representando uma força dinâmica na arena global”, concluiu.

De acordo com o comunicado de imprensa, os esforços para finalizar o desenvolvimento da Agenda 2063 ainda estão em curso. No entanto, está previsto que o primeiro plano da Agenda 2063, de 10 anos, será aprovado na próxima Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, em janeiro de 2015.