Encontro promovido pelo UNFPA em Brasília reúne promotoras em saúde da população negra

Trinta participantes do projeto “Promotor@s de Saúde da População Negra” apresentaram algumas das mais de 300 atividades realizadas este ano em todas as regiões de Porto Alegre. Além de benefícios para a saúde, ações promovem igualdade de direitos.

Promotoras em saúde da população negra de Porto Alegreno encontro com o Representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal Roig (centro). Foto: UNFPA

Promotoras em saúde da população negra de Porto Alegreno encontro com o Representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal Roig (centro). Foto: UNFPA

As experiências de promoção da saúde da população negra no município de Porto Alegre foram debatidas na quinta-feira (19) em encontro realizado em Brasília (DF), pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Trinta participantes do projeto “Promotor@s de Saúde da População Negra” apresentaram algumas das mais de 300 atividades realizadas este ano em todas as regiões da capital gaúcha, entre palestras, rodas de conversa e visitas de campo, e discutiram a continuidade das ações, realizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Serviço Único de Saúde (SUS), em escolas públicas e nas comunidades.

O Representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal Roig, participou do encontro e reiterou o compromisso da agência da ONU com a iniciativa, que visa enfrentar o racismo institucional na área da saúde e trabalha a questão do racismo como determinante das condições de saúde da população negra.

O projeto “Promotor@s de Saúde da População Negra” foi criado para fortalecer a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da Saúde da População Negra no município de Porto Alegre, através da atuação qualificada de trabalhadores de saúde e da organização de uma rede que atue na promoção e atenção à saúde da saúde da população negra. Busca também o fortalecimento do controle social para a atuação a favor da saúde da população negra, problematizando, entre gestores de saúde, os determinantes sociais das condições de saúde, dando o devido destaque ao racismo institucional.

“O Fundo foi determinante para mostrar que temos instrumentos de garantia de direitos, para mostrar que estamos no caminho certo do combate ao racismo no SUS”, disse a coordenadora da área técnica de saúde da população negra da Secretaria Municipal de Saúde, Elaine Oliveira Soares. “Além de apresentar uma discussão temática sobre a saúde, trazemos para a discussão a luta social, que é a desconstrução do racismo institucional, com grande impacto para o SUS e para a vida de homens e mulheres negras. Com isso, o projeto traz resultados em várias dimensões. Muitas participantes se reconheceram como pessoas negras e passaram a ser protagonistas dessa luta”.

Outro resultado apontado por ela foi o trabalho coletivo, que envolveu outras áreas do governo municipal na implementação da Política Nacional Integral de Saúde da População Negra. “O projeto está em todos os espaços, em todas as regiões, garantindo que essa política passe a ser uma política institucional desta Secretaria. Além disso, fortalece a sociedade civil e os espaços de controle social como o Conselho Municipal de Saúde”.