‘Entrega de assistência na Síria é questão de vida ou morte’, alerta enviado da ONU

Nos últimos 50 dias, as agências de ajuda humanitária e seus parceiros não alcançaram uma única área sitiada dentro da Síria por terra. Há 13 áreas sitiadas no país, onde mais de 600 mil pessoas estão cada vez mais vulneráveis, após seis anos de guerra.

Enviado humanitário da ONU para a Síria, Jan Egeland. Foto: ONU / Luca Solari

Enviado humanitário da ONU para a Síria, Jan Egeland. Foto: ONU / Luca Solari

O enviado humanitário da ONU para a Síria, Jan Egeland, informou na semana passada (16) que as autoridades sírias asseguraram que os obstáculos à entrega de ajuda serão removidos em todo o país.

Falando a jornalista em Genebra, o representante da ONU disse que o acordo era necessário para remover o que ele chamou de “atoleiro administrativo”, que impediu a ajuda de chegar às pessoas sob bloqueio neste ano.

“A entrega de assistência aos necessitados é questão de vida ou morte”, frisou.

Nos últimos 50 dias, as agências de ajuda humanitária e seus parceiros não alcançaram uma única área sitiada dentro da Síria por terra. Há 13 áreas sitiadas no país, onde mais de 600 mil pessoas estão cada vez mais vulneráveis, após seis anos de guerra.

“Nos últimos dias, homens com armas interromperam vários comboios e descarregaram kits de diarreia para crianças e kits de maternidade para mulheres grávidas”, alertou Egeland.

“Isso deve mudar e pode mudar”, continuou ele, acrescentando que houve intensa atividade diplomática nesse sentido por parte da ONU e de enviados, com ajuda de membros da força-tarefa e do governo da Síria.

Ele destacou que as regiões mais necessitadas são as chamadas ‘Quatro Cidades’ – Foah, Kafraya, Madaya e Zabadani.

“Esperamos e acreditamos que essa situação mude agora. Isso precisa mudar agora. Se não chegarmos às quatro cidades em breve, veremos novamente as cenas que vimos quando a coisa toda começou há um ano: as pessoas famintas”, ressaltou.

Resultados mistos para o primeiro ano da força-tarefa humanitária internacional

Avaliando o trabalho realizado pela força-tarefa desde a sua criação pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês), Egeland disse que os resultados foram mistos.

Embora tenha notado que o grupo de trabalho quase triplicou o número de pessoas alcançadas em 2016 em comparação com o ano anterior, ele afirmou que o progresso foi dificultado nos últimos tempos.

“É uma vergonha que os membros da força-tarefa não tenham sido capazes de levantar um único cerco por negociações em 2016. Há um compromisso de tentar fazer isso em 2017, e espero que isso aconteça através das negociações em Astana, em Genebra, e em outros lugares.”

‘Vamos por fim aos bloqueios. Eles pertencem à Idade Média, não ao ano de 2017”, completou.

Ele pediu aos presidentes do grupo que façam mais e trabalhem em parceria com os Estados-membros que têm influência sobre o governo sírio e a oposição armada, como o Irã, a Turquia e os países do Golfo.