A atriz ouviu as experiências dos refugiados que deixaram seu país, muitas vezes sem conseguir levar nada, e se encontrou com 200 famílias minutos após a sua chegada no campo.

Como o número de sírios que fogem do seu país continua a aumentar, o chefe do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Antonio Guterres, e a enviada especial da agência e atriz hollywoodiana Angelina Jolie visitaram o campo de refugiados Za’atri, onde se encontram cerca de 28 mil refugiados que cruzaram a fronteira para escapar da violência no país vizinho.
“Sou grata à Jordânia e outros países vizinhos por manter as suas fronteiras abertas, por salvar a vida dessas pessoas. Elas estão morrendo na Síria”, disse Jolie hoje (11) em um encontro com a imprensa. “Se eles não conseguissem escapar com suas famílias, muitas das pessoas aqui, muitas das pessoas que eu conheci hoje estariam de fato mortas. É uma coisa extraordinária o que eles estão fazendo”.
Som do bombardeio podia ser ouvido a distância
Ontem à noite, Jolie visitou a fronteira da Jordânia com a Síria, onde se encontrou com recém-chegados — cerca de 200 famílias que fizeram a perigosa travessia naquela noite, enquanto o bombardeio podia ser ouvido a distância.
“Tem sido uma experiência muito pesada”, relata a atriz. Apesar de uma década de trabalho junto ao ACNUR, ela observa que “raramente encontramos as pessoas quando cruzam a fronteira, no momento em que se tornam refugiadas, o momento em que perderam sua casa, sua escola, seus meios de subsistência, sua educação. Tudo o que eles eram se foi. E quando eu pergunto ‘o que você trouxe?, eles dizem ‘isso’, e mostram as [suas] costas”.
Segundo o ACNUR, alguns refugiados relatam terem se deslocado cinco ou seis vezes antes de finalmente deixarem o país. Embora o número de pessoas que atravessam a fronteira tende a variar, dependendo da situação de segurança na Síria, em média, cerca de 2 mil novas chegadas ocorrem diariamente, com a maioria das pessoas atravessando a fronteira à noite, a agência observou.
“Nós encorajamos a comunidade internacional a fazer tudo o que puder para apoiar essas pessoas aqui, até que elas possam, um dia, voltar para casa. Muito precisa ser feito”, disse Jolie. “É uma situação muito, muito difícil e os apelos que surgiram — muitos ainda não atendidos — não estavam sequer preparados para levar em conta a extensão do que estava para acontecer. Os números estão crescendo. O conflito está crescendo”.
Encontro com autoridades
Após a visita aos campos, que teve como objetivo não só mostrar solidariedade com os refugiados, mas também reconhecer o compromisso do povo jordaniano e do Governo em proteger os civis vulneráveis, Guterres e Jolie são esperados para encontro com o Rei Abdullah II, da Jordânia, bem como com o Primeiro-Ministro do país e os Ministros dos Negócios Estrangeiros.
O ACNUR, juntamente com o Governo da Jordânia e de seus parceiros, está trabalhando para ajudar as pessoas deslocadas. No entanto, a agência relata que as condições no campo de Za’atri — localizado em uma região desértica de muito vento — são duras, com muitos refugiados vivendo em tendas.
Com o inverno se aproximando, o ACNUR espera conseguir mover as pessoas para casas pré-fabricadas, em uma taxa de até 30 casas por dia, dando prioridade para as famílias mais vulneráveis. Enquanto isso, os refugiados tentam viver da melhor maneira possível no acampamento. No final de semana, ocorreu o primeiro casamento em Za’atari e muitas crianças já nasceram no campo desde sua abertura.
Desde que o conflito na Síria começou, há 18 meses, mais de 18 mil pessoas já morreram e cerca de 250 mil se registraram ou esperam registro nos campos de refugiados do ACNUR em países vizinhos.