Enviado da ONU para o Iêmen adia negociações de paz após vários episódios de violação do cessar-fogo

No Iêmen, 7,6 milhões de pessoas passam fome e 15 milhões recebem assistência médica de organizações humanitárias. Número de iemenitas internamente deslocados já chegou a 2,5 milhões em 2015.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros prestam assistência a cerca de 15 milhões de iemenitas. Foto: OMS Iêmen

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros prestam assistência a cerca de 15 milhões de iemenitas. Foto: OMS Iêmen

O enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, decidiu neste domingo (20) adiar os diálogos de paz entre as partes do conflito em função das diversas violações do cessar-fogo no país. O representante da ONU espera que articulações bilaterais, regionais e dentro da nação possam assegurar a suspensão das hostilidades, necessária para dar prosseguimento às negociações. Próxima rodada de conversas facilitadas pelas Nações Unidas está prevista para ocorrer em 14 de janeiro, na Suíça.

Ao longo de 2015, confrontos entre facções iemenitas deterioraram a já frágil situação alimentar do país, levando mais de 3 milhões de pessoas a passar fome em menos de um ano. Dados do Programa Mundial de Alimentos (PMA) indicam que 7,6 milhões enfrentam insegurança alimentar “severa”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de iemenitas recebem assistência médica da agência e entidades parceiras devido ao colapso do sistema de saúde do Iêmen.

Um novo relatório organizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), pela Força Tarefa sobre Movimentos de População (TFPM) e pela Organização Internacional de Migração (IOM) destacou que o número de pessoas internamente deslocadas no país já chegou a 2,5 milhões. O valor indica um aumento de 9% desde o recrudescimento das tensões. Mais da metade desse contingente se encontra nas províncias mais afetadas pelos conflitos: Amran, Hajjah, Sana’a, Abya e Taiz. Esta última abriga mais de um terço dos cerca de 1,25 milhão de iemenitas deslocados.

Apesar do adiamento dos diálogos de paz, o enviado especial da ONU elogiou o progresso obtido até agora nas negociações, que já definiram um conjunto de medidas para construir confiança entre as partes. As propostas já acordadas até agora envolvem a libertação de todos os prisioneiros e detentos, assim que um cessar-fogo por estabelecido, e a liberação do acesso da assistência humanitária a diferentes províncias, incluindo Taiz. Também está prevista a criação de um comitê com conselheiros militares de ambos os lados para atenuar as tensões.