Enviado da ONU pede que afegãos entrem em processo de paz e rejeitem ‘guerra interminável’

O enviado das Nações Unidas para o Afeganistão pediu na segunda-feira (19) que o Talibã participe das negociações de paz com o governo nacional, enfatizando que o conflito no país não tem solução militar e que o único caminho para uma paz significativa é por meio do diálogo entre as partes.

“O Talibã precisa reconsiderar a ideia de que seus objetivos só podem ser atingidos na frente de batalha”, disse o enviado especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, ao Conselho de Segurança, durante debate sobre a situação no país e as implicações para a paz e a segurança internacional.

Vale do Bamiyan, no Afeganistão. Foto: UNESCO

Vale do Bamiyan, no Afeganistão. Foto: UNESCO

O enviado das Nações Unidas para o Afeganistão pediu na segunda-feira (19) que o Talibã participe das negociações de paz com o governo nacional, enfatizando que o conflito no país não tem solução militar e que o único caminho para uma paz significativa é por meio do diálogo entre as partes.

“O Talibã precisa reconsiderar a ideia de que seus objetivos só podem ser atingidos na frente de batalha”, disse o enviado especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, ao Conselho de Segurança, durante debate sobre a situação no país e as implicações para a paz e a segurança internacional.

“É necessário coragem para entrar em um processo de paz. Não é uma admissão de derrota — é um reconhecimento da realidade. Uma guerra sem fim arruína o país e afeta a população”, acrescentou.

O único caminho para uma paz duradoura é a negociação direta entre afegãos, completou, pedindo que todas as partes no conflito identifiquem interesses comuns e, particularmente o Talibã, se engaje em conversas diretas com o governo “sem pré-condições”.

O acordo de paz com o grupo armado Hizb-i Islami mostra que o governo está preparado para negociar sobre questões-chave, como a libertação de prisioneiros, o fim das sanções e a integração na vida política no Afeganistão, disse Yamamoto, que também é chefe da Missão de Assistência da ONU no país, conhecida como UNAMA.

“A implementação bem sucedida do acordo deve resolver quaisquer dúvidas remanescentes, ajudar a unir os afegãos, e pode pavimentar o caminho para novos acordos de paz”, disse.

Sobre o cenário geral no país, apesar dos desafios de segurança e algumas volatilidades políticas, ele disse que continua a ver oportunidades e esperança no Afeganistão.

Desde a formação de um governo de unidade nacional dois anos atrás, os líderes afegãos continuaram trabalhando para superar diferenças e avançar na agenda de reforma do país, disse.

A comunidade internacional também respondeu com compromissos financeiros significativos tanto em segurança como em desenvolvimento, permitindo que o Afeganistão atingisse maior estabilidade e autoconfiança, concluiu.