Enviado da ONU persistirá no diálogo com Síria e insiste que país aceite ‘ventos da transformação’

“Se não pode virar o vento, vire a vela. A resposta realista é abraçar as mudanças”, disse Kofi Annan ao Presidente da Síria.

Enviado Especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria Kofi Annan (ONU/Paulo Filgueiras)

O porta-voz do Enviado Especial Conjunto das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria disse que o governo sírio respondeu às questões levantadas por Kofi Annan sobre a violência em andamento no país. Mas ainda há mais o que esclarecer, afirma o comunicado emitido hoje (14/03). “Dada a trágica e grave situação, todos deveriam perceber que o tempo é essencial”, afirma o comunicado do porta-voz, acrescentando que “como disse [Annan] quando foi à região, essa crise não pode se arrastar”.

Durante missão à Damasco, capital da Síria, no domingo, Annan pediu que o Presidente Bashar al-Assad abraçasse a mudança e as reformas que vão formar as bases para uma democracia em seu país. “Os ventos da transformação que sopram hoje não podem ser evitados por muito mais tempo”, disse. “Eu peço que o Presidente dê ouvidos ao velho ditado africano: se não pode virar o vento, vire a vela. A resposta realista é abraçar as mudanças e reformas”.

Annan ressaltou que as reformas ajudariam na construção de uma “pacífica, estável, pluralista e próspera sociedade, baseada no Estado de Direito e o respeito aos Direitos Humanos”. A conversa entre o Enviado Especial e o Presidente focaram no encerramento da violência, na permissão de acesso à ajuda humanitária e no início de um diálogo político.

Milhares de pessoas já foram mortas, a maioria civis, e muitos estão deslocados desde que o levante – parte do movimento mais amplo da Primavera Árabe no Norte da África e do Oriente Médio – teve início em março do ano passado.