Enviado da ONU reafirma que solução da crise em Gaza é fundamental para a paz no Oriente Médio

Após visita ao local, coordenador especial da ONU para o Processo de Paz do Oriente Médio afirmou que os avanços de reconstrução em Gaza continuam lentos, principalmente devido à falta de fundos prometidos e ao bloqueio econômico imposto por Israel.

Um projeto de remoção de escombros em Shujaiyah, Gaza, financiado pela Suécia e executado pelo PNUD. Foto: PNUD

Um projeto de remoção de escombros em Shujaiyah, Gaza, financiado pela Suécia e executado pelo PNUD. Foto: PNUD

A paz no Oriente Médio depende da resolução da crise em curso em Gaza, onde os esforços de reconstrução não avançam e o bloqueio econômico continua, disse, nesta segunda-feira (02), o coordenador especial da ONU para o Processo de Paz do Oriente Médio, Robert Serry, durante sua última visita ao território.

Com o mandato de sete anos a ponto de expirar, Serry reconheceu que “algum “progresso” foi realizado na reconstrução de Gaza, mas lamentou o ritmo lento em que vem sendo alcançado. Também citou as questões políticas devem ser abordadas, inclusive o fim da ocupação e a obtenção de uma solução que contemple dois Estados.

“Entendo completamente a frustração das pessoas em Gaza”, disse o coordenador especial. Ele qualificou de “inaceitável” o fato da ONU ter sido forçada a suspender os pagamentos em dinheiro às famílias de refugiados por falta de apoio dos doadores e destacou que apenas uma pequena porcentagem dos 5.4 bilhões de dólares prometidos na Conferência de Cairo de outubro de 2014 foram desembolsados.

Para ele, o bloqueio contínuo à Faixa de Gaza deixa o enclave “mais isolado do que nunca” ao estabelecer muitas restrições para a passagem através de Israel. A outra entrada, através de Rafah, no Egito, continua “praticamente fechada”, lembrou.

“Nós, da ONU, temos sempre estado na linha de frente para pedir o fim do bloqueio como um pré-requisito para uma economia estável e funcional em Gaza. Não é possível ter uma economia estável e funcional sem um cessar-fogo duradouro e um governo reconhecido, legítimo e inclusivo liderando a recuperação de Gaza”, adicionou.