A militância do grupo Al Shabaad foi expulsa de seu último reduto, mais ainda é uma ameaça no país.

“O som de martelos e da construção substituem as explosões causadas por armas e militantes da Al Shabaab, expulsos de seu último reduto importante na Somália. As mudanças antes inimagináveis ocorreram, mas ainda há ameaças de guerrilha, guerras e terrorismo”. Essas foram as palavras do Representante Especial do Secretário-Geral para a Somália, Augustine Mahiga, numa coletiva de imprensa ontem (4) em Nairóbi, no Quênia, sobre o futuro da ONU no país. A nação foi dilacerada por mais de 20 anos de guerra civil.
“Pode ter sido difícil, pode ter sido um desafio maior, no entanto passamos da transição para a transformação, o que implica a construção da paz ligada à construção do Estado”, completou Mahiga. O enviado da ONU prestou homenagem à força da Missão da União Africana na Somália (AMISOM) e às forças do país, que no mês passado expulsaram a Al Shabaab da cidade portuária de Kismayo, no sul da região.
No entanto, a expulsão das forças Al Shabaad não significa o fim do grupo, e o desafio contra a facção deve continuar. “Nós vimos em Mogadíscio (capital do país). Eles fazem o que eles são melhores: bombas terroristas, dispositivos, bombas suicidas, bombas de beira de estrada. Essas ações provavelmente continuarão”, disse ele. O Representante Especial observou que poderão haver guerras de guerrilha e guerras mais convencionais em algumas partes da Somália.
Mahiga também elogiou o processo de transição no país, que viu a adoção de uma nova Constituição, a convocação de um novo Parlamento e a eleição de um novo Presidente nos últimos meses. Ele ressaltou também que o Presidente somali, Hassan Sheikh Mohamud, fez duas ligações telefônicas com o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e os dois concordaram em começar atividades pacifistas com todas as agências da ONU que trabalham no local.
“A ONU vai começar uma revisão interna de suas estratégias, objetivos e prioridades no país”, completou Mahiga.