Enviado especial da ONU diz que processo para retirada de civis de Alepo entra em fase final

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, informou que uma grande, perigosa e complexa retirada de civis presos no leste Alepo, em Foah e em Kefraya entrou em sua fase final na quinta-feira (22).

De acordo com o enviado humanitário da ONU para a Síria, Jan Egeland, cerca de 35 mil pessoas deixaram o leste de Alepo em mais de 200 ônibus e em aproximadamente 750 carros e caminhões, todos saindo através do portão de Ramouseh, onde há observadores da ONU.

População deslocada em Alepo, na Síria, aguarda em fila para receber comida distribuída pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA). Foto: PMA/Hani Al Homsh

População deslocada em Alepo, na Síria, aguarda em fila para receber comida distribuída pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA). Foto: PMA/Hani Al Homsh

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, informou que uma grande, perigosa e complexa retirada de civis presos no leste Alepo, em Foah e em Kefraya entrou em sua fase final na quinta-feira (22). Segundo ele, o momento é crucial, e o próximo passo é avaliar os locais para onde essas pessoas estão sendo levadas.

De acordo com o enviado humanitário da ONU para a Síria, Jan Egeland, cerca de 35 mil pessoas deixaram o leste da cidade em mais de 200 ônibus e em aproximadamente 750 carros e caminhões, todos saindo através do portão de Ramouseh, onde há observadores da ONU.

Ressaltando a complexidade da operação de retirada dos civis, ele agradeceu o empenho prestado pelo Crescente Vermelho Árabe Sírio, pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) e pela equipe da ONU que atua no local.

Egeland também reconheceu o esforço empreendido por 32 organizações não governamentais que trabalharam com a ONU em Idlib e em Alepo rural, onde, segundo ele, dezenas de pessoas do leste da cidade se juntaram a centenas de milhares de pessoas já internamente deslocadas.

“Trata-se de uma corrida contra o relógio e contra o inverno para fornecermos abrigo, calor e alívio às pessoas que estão doentes, exaustas e desnutridas depois de muitos anos de guerra”, frisou.

Ele afirmou que a ONU precisa ter mais presença nas áreas onde há confrontos e as tensões continuam. “Nossa presença significa proteção, e esse é o propósito da resolução do Conselho de Segurança. O monitoramento levará à proteção”, acrescentou.

Egeland reconheceu que, no momento, há um “limitado, mas importante” contingente de 31 funcionários internacionais e nacionais das Nações Unidas dedicados ao monitoramento, além de 100 pessoas da organização presentes em Alepo para a operação de assistência.

“Mais pessoas estão a caminho e pedimos acesso total e sem restrições a todas as áreas do leste da cidade. Precisamos de todas as licenças necessárias do governo sírio, do escritório do governador e de todas essas instituições na Síria. Só assim teremos o acesso de que precisamos”, acrescentou.

Ele ressaltou que há ainda 15 áreas sitiadas além de Alepo, e que a situação nessas regiões ainda é bastante preocupante. Até o momento, apenas um comboio chegou a Khan Elshih, uma aldeia palestina no sudoeste de Damasco.

“Seis mil pessoas finalmente conseguiram alívio, mas todos os outros lugares ainda não conseguiram a ajuda de que precisam em dezembro. Novembro também foi um mês muito ruim”, sublinhou.

Segundo Staffan de Mistura, a solução para o problema continua sendo o acesso humanitário e a ajuda aos necessitados — não apenas em Alepo, mas também em outros lugares — bem como a cessação das hostilidades e a construção de um processo político democrático.

O enviado especial ainda reiterou o seu pedido feito no início da semana sobre o relançamento das negociações entre as partes do conflito para 8 de fevereiro, em Genebra.