Diálogos recentes em Viena têm avançado as negociações por um processo político capaz de acabar com o conflito no país. Regiões dominadas pelo Estado Islâmico não devem fazer parte de cessar-fogo.

Crianças no campo Atme para pessoas deslocadas, no norte da Síria, próximo à fronteira com a Turquia. Cerca de 6,5 milhões de sírios foram internamente deslocados pela violência. Foto: IRIN / Jodi Hilton
O enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou nesta quinta-feira (19) que seria possível negociar um cessar-fogo em escala nacional no país. A suspensão dos confrontos deverá ser discutida num futuro próximo, em Genebra, com a participação de representantes da oposição síria. Regiões da nação dominadas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), como Raqqa e Palmira, provavelmente não farão parte do acordo.
O atual avanço nas negociações é fruto das duas rodadas de diálogos internacionais que aconteceram recentemente em Viena, na Áustria, e reuniram representantes da União Europeia e de 17 países, como Irã, Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos.
Além da articulação de um possível cessar-fogo nacional em Genebra, as discussões definiram parâmetros para um processo político na Síria, como a formação de estruturas de governança não-sectárias, de uma nova constituição e a realização de eleições para além de votações parlamentares. “Esse é um pacote razoável que mesmo uma oposição decepcionada poderia olhar com interesse”, afirmou de Mistura.
De acordo com o enviado da ONU, o governo sírio encaminhou uma lista com mais de 40 representantes que devem participar das negociações em Genebra. Para de Mistura, é necessário incluir a oposição nas discussões. “É extremamente importante ter um grupo (de oposição) bastante inclusivo, coerente e compreensivo”, disse.
O representante das Nações Unidas repudiou os comentários recentes feitos pelo presidente sírio Bashar al-Assad, de que nenhum processo político seria permitido a não ser que a Síria fosse libertada dos terroristas. “Sempre que houver um processo político começando e a possibilidade de um cessar-fogo, haverá muitas afirmações que estão, de fato, preparando, preposicionando e posicionando os lados. O que importa é o que acontece nos encontros de Viena e nas negociações”, disse de Mistura.
Embora o cessar-fogo não esteja garantido, o enviado da ONU acredita que alguns países capazes de influenciar as partes beligerantes na Síria têm interesse numa suspensão dos confrontos. De Mistura explicou que o fracasso das tréguas locais negociadas anteriormente se deve justamente à falta de apoio estrangeiro.