Roger Meece alerta que situação é precária e pode se transformar num conflito de larga escala. Já há quase 1 milhão de deslocados em Kivu do Norte.

Às vésperas da assinatura de um novo acordo de paz para a República Democrática do Congo (RDC), o Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para o país, Roger Meece, pediu ao Conselho de Segurança que autorize o envio de mais uma brigada para reforçar a Força de Paz.
“Estou convencido de que a capacidade de imposição da paz no terreno é um componente necessário para atingir as condições necessárias para obter o engajamento e os compromissos necessitados por todas as partes”, afirmou Meece na sexta-feira (22). “A situação geral é volátil e precária e poderá se transformar num conflito de larga escala a qualquer momento, sem aviso prévio”, acrescentou.
Atualmente, a Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO) conta com pouco mais de 22 mil militares e policiais.
Na província sudeste de Katanga, a situação alcançou “proporções alarmantes”, afirmou o Enviado Especial, com uma grande crise humanitária que inclui 316 mil deslocados internos, segundo estimativa do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
De acordo com Meece, a deterioração da segurança em Katanga está relacionada com a retomada das atividades do líder da milícia Mayi Mayi, Gédéon, que escapou da prisão em 2011, e de milícias associadas como a Kata Katangais.
Ainda segundo o Representante Especial, apesar de haver uma pausa nas operações do Movimento 23 de Março (M23) desde sua ocupação temporária de Goma, capital de Kivu do Norte, no ano passado, não há evidências de que as forças estão retrocedendo ou mudando suas posturas militares.
Os confrontos entre os combatentes do M23 e do Exército da RDC provocaram o deslocamento de quase 1 milhão de pessoas em Kivu do Norte.