Epidemia de aids foi estabilizada globalmente e taxa de novas infecções revertida em 56 países

No entanto, secretário-geral das Nações Unidas observou que cerca de 45 países e territórios continuam a negar a entrada, estadia e residência para pessoas que vivem com HIV. A cada minuto, uma mulher jovem é infectada pelo vírus.

No entanto, secretário-geral das Nações Unidas observou que cerca de 45 países e territórios continuam a negar a entrada, estadia e residência para pessoas que vivem com HIV. A cada minuto, uma mulher jovem é infectada pelo vírus.

Isabel, uma avó em Moçambique, cuida de sua neta de seis meses de idade cuja mãe morreu de uma doença relacionada à aids. Foto: ONU

Isabel, uma avó em Moçambique, cuida de sua neta de seis meses de idade cuja mãe morreu de uma doença relacionada à aids. Foto: ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira (10) aos Estados-membros da ONU que prossigam com os esforços por um mundo livre do HIV. Em reunião da Assembleia Geral da ONU sobre os progressos na luta contra a aids, Ban elogiou os avanços conquistados, como o fato de que a epidemia foi estabilizada e a taxa de novas infecções revertida em mais de 56 países.

Além disso, Ban ressaltou que globalmente as novas infecções pelo HIV diminuíram em um quinto desde 2001. O tratamento agora chega a mais da metade dos necessitados em países de baixa e média renda.

No entanto, Ban afirmou que mulheres e meninas ainda correm inaceitavelmente o alto risco de contrair HIV, lembrando que a cada minuto uma mulher jovem é infectada. Além disso, o acesso de crianças ao tratamento contra o vírus permanece particularmente baixo, com menos de um terço dos meninos e meninas com aids recebendo o tratamento que necessitam.

ONU pede que países revoguem leis discriminatórias

O secretário-geral ressaltou que cerca de 45 países e territórios continuam a negar a entrada, estadia e residência para pessoas que vivem com HIV e pediu sejam revogadas as leis discriminatórias.

O chefe da ONU lembrou que a Declaração Política da Assembleia Geral sobre HIV e Aids, feita em 2011, estabelece um novo quadro de responsabilidade partilhada e de solidariedade global.

Desde então, o mundo chegou mais perto do objetivo de não ter novas infecções pelo HIV, sem discriminação e sem mortes relacionadas com a doença.

“Estamos abrindo o caminho para alcançar uma geração livre da aids”, disse Ban. “Globalmente, nós teremos atingido o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de deter e reverter a propagação da aids até o final de 2015. Mas é preciso fazer mais para cada um dos países e comunidades e precisamos de um financiamento adicional para realizar plenamente o nosso objetivo.”

Em seu discurso, Ban pediu mais financiamento para programas que ajudem as parcelas da população mais atingidas pelo vírus. Isso inclui os trabalhadores do sexo, homens que fazem sexo com homens e pessoas que usam drogas.

O chefe da ONU também pediu mais financiamento aos esforços para eliminar o estigma e a discriminação relacionadas à aids.

“Muitos governos e líderes comunitários ainda têm leis e políticas que criminalizam as populações mais atingidas pelo HIV e as forçam para a clandestinidade”, observou Ban. “Isso é discriminatório e contraproducente. Afasta as pessoas das informações, testes, tratamento, cuidados e serviços de apoio. Tenho constantemente dito que os direitos humanos são universais e devem ser universalmente respeitados.”