Equador: cem bebês nascem por dia em zonas afetadas por terremoto, alerta UNICEF

Em região mais atingida, uma em cada cinco crianças sofre de diarreia e desnutrição crônica. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) quer levar assistência para populações vulneráveis, mas recebeu apenas 15% dos 15 milhões de dólares solicitados para atuar no país.

A recém-nascida Milagro Carbo tira um cochilo em uma rede armada numa sala de aula da escola “31 de março”, que está sendo usada para abrigar famílias afetadas pelo terremoto em Novo Pedernales, na província de Manabi, no Equador. O nome da bebê – que significa milagre em espanhol – foi escolhido devido às circunstâncias em que ela nasceu: apenas algumas horas antes do terremoto. Foto: UNICEF/UN018960/Arcos

A recém-nascida Milagro Carbo tira um cochilo em uma rede armada numa sala de aula da escola “31 de março”, que está sendo usada para abrigar famílias afetadas pelo terremoto em Novo Pedernales, na província de Manabi, no Equador. O nome da bebê – que significa milagre em espanhol – foi escolhido devido às circunstâncias em que ela nasceu: apenas algumas horas antes do terremoto. Foto: UNICEF/UN018960/Arcos

Todos os dias, cerca de cem bebês em média nascem nas províncias equatorianas de Esmeraldas e Manabí – as mais afetadas pelo terremoto que atingiu o Equador em abril. Cerca de um mês após o desastre, mais de 30 mil pessoas estão vivendo em abrigos oficiais e 120 mil crianças precisam de espaços temporários de aprendizagem.

“Em uma região onde uma em cada cinco crianças sofre de diarreia e desnutrição crônica, é essencial dar a esses bebês os meios básicos para sobreviver e prosperar”, alertou o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Equador, Grant Leaity.

A agência da ONU divulgou os números acima na última segunda-feira (16) e alertou para a falta de financiamento de suas operações no país. Para atender às necessidades de 250 mil jovens até meados de julho, o organismo precisará de 15 milhões de dólares. Até o momento, a agência da ONU recebeu apenas 15% desse montante.

O terremoto de 16 de abril matou 660 pessoas, destruiu os sistemas de água e afetou 33 centros de saúde, dos quais metade não está funcionando. Os abalos sísmicos também danificaram ou destruíram cerca de 560 escolas e aproximadamente 10 mil edifícios.

A resposta imediata liderada pelo governo permitiu que 75% das crianças retornassem à escola. O contingente de desabrigados tem recebido assistência básica, assistência médica e apoio psicológico em locais de acolhimento oficiais. Com o apoio do UNICEF, o acesso à água potável foi restaurado em Jama e Pedernales, as duas piores cidades atingidas pelo terremoto.

Apesar das operações humanitárias já em curso, milhares de pessoas estão em abrigos informais que não têm serviços básicos.

Em parceria com as autoridades e parceiros, o UNICEF quer levar assistência às populações mais vulneráveis:

  • Estabelecendo, com o Ministério da Educação, espaços temporários de aprendizagem para 20 mil crianças e distribuindo 750 kits escolares para beneficiar 60 mil crianças. Os primeiros espaços temporários de aprendizagem já estão abertos em Pedernales e Jama com capacidade para receber 5,6 mil crianças, e espaços adicionais estão sendo instalados nas duas cidades e também em Matal, Chorerra e Muisne.
  • Instalando, com organismos nacionais e municipal, serviços de água e saneamento em abrigos para pessoas deslocadas e escolas temporárias, além de oferecer água potável e de higiene em áreas onde a rede de água foi danificada.
  • Fornecendo, com o Ministério da Inclusão Social, apoio psicossocial e promovendo atividades culturais e esportivas para crianças e adolescentes a fim de contribuir para a sua recuperação emocional.
  • Apoiando o Ministério da Saúde a estabelecer protocolos de rastreamento de desnutrição aguda; desenvolver as mensagens comunitárias para a prevenção de doenças transmitidas por vetores, como zika, dengue e chikungunya; fornecer micronutrientes e vitamina A para a nutrição, zinco e sais de reidratação oral para diarreia; fornecer tendas para substituir as unidades de saúde danificadas; e proporcionar postos de saúde temporários perto de abrigos. Espaços para bebês também serão criados em Pedernales, Jama e Muise.

“Se a comunidade de doadores não intensificar o seu apoio, estaremos falhando com milhares de crianças”, lamentou Leaity.

Brasileiros interessados podem ajudar a agência das Nações Unidas por meio de contribuições financeiras diretas que são feitas online em um site seguro. Para doar ao UNICEF, clique aqui.