Porta-voz do ACNUDH condenou ataque da semana passada contra um acampamento de deslocados internos no país.
A agência de direitos humanos das Nações Unidas condenou hoje (24) o ataque que se realizou sobre um acampamento de relocação para pessoas deslocadas internamente na Costa do Marfim, na semana passada.”O ataque, que foi claramente etnicamente motivado, ressaltando a necessidade urgente de combater a impunidade por violações passadas na Costa do Marfim”, disse o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, a jornalistas em Genebra.
Pelo menos sete pessoas foram mortas como resultado do ataque ao acampamento em Nahibly, perto de Duékoué, no oeste do país, enquanto 67 outros foram feridos. O campo foi completamente queimado até o chão, e seus 5 mil habitantes fugiram. A equipe da ONU de investigação, incluindo oficiais de direitos humanos, está sendo despachada para a área hoje para uma missão de 10 dias, segundo o ACNUDH.
Colville notou que, no auge da crise pós-eleitoral em março do ano passado, dois massacres ocorreram na área Duékoué-Guiglo. Um supostamente resultou na morte de cerca de 100 membros da comunidade étnica Dioula e o outro na morte de cerca de 244 membros em sua maioria homens do grupo étnico Guere, durante a captura de Duékoué em 28 de março de 2011 pelas Forças Republicanas da Costa do Marfim (FRCI).
“Parece que o ataque ao campo de deslocados em Nahibly foi direcionado aos membros da comunidade Guere, que está sendo acusada pela comunidade Dioula por um assalto à mão armada no início do dia na sexta-feira, durante o qual cinco Malinké [sub-grupo étnico Dioula] foram mortos”, disse ele.
“Mais do que um ano depois da violência étnica de março de 2011 em Duékoué, pouco progresso foi feito na promoção da justiça e responsabilidade”, Colville acrescentou. O ACNUDH está encorajando o governo a processar os autores de todos os lados do espectro político, através de um processo judicial justo e imparcial, para levar o país adiante.