Escassez de água na Coreia do Norte faz produção de alimentos cair pela primeira vez desde 2010

O relatório é da FAO, que apoiará agricultores nas províncias mais atingidas. Apesar da redução da produção de arroz em casca e milho, importantes na agricultura local, outros cereais como sorgo, painço e trigo mourisco tiverem um aumento na produção, mesmo em meio à seca continuada.

Campo usado para a agricultura na Coreia do Norte. Foto: FAO

Campo usado para a agricultura na Coreia do Norte. Foto: FAO

A produção anual de alimentos na Coreia do Norte diminuiu 9% em 2015, marcando a primeira queda desde 2010 devido à seca e à baixa disponibilidade de água para a irrigação, mostrou um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no final de abril.

“A produção em queda foi o resultado de chuvas fracas durante a época de colheita”, destacou Cristina Coslet, representante da FAO no país, em uma entrevista em vídeo, acrescentando que as “baixas disponibilidades de água de irrigação após períodos de seca recorrentes também no ano anterior agravaram a situação”.

A produção de arroz em casca e milho, importantes alimentos para a economia, foi reduzida em mais de um quarto – para 1,9 milhão de toneladas –, e 3% – 2,29 milhões de toneladas – em 2015, respectivamente, de acordo com os últimos dados de monitoramento da FAO.

Além disso, o deficit não coberto de importação de cereais – 394 mil de um total de 694 mil toneladas – representa a maior diferença desde 2011/12.

“Esta situação é particularmente preocupante, já que os pacotes alimentares das redes públicas de distribuição, que são a principal fonte de alimento para cerca de 8 milhões [de pessoas na Coreia do Norte], diminuíram consideravelmente desde julho de 2015”, disse Coslet.

No entanto, o relatório também observou um aumento da produção de soja resistente à seca em um terço, bem como uma colheita tripla de outros cereais como sorgo, painço e trigo mourisco.

Expressando preocupação com o abastecimento de alimentos e a deterioração da segurança alimentar, a agência da ONU está oferecendo suporte técnico imediato, bem como a prevenção a riscos de longo prazo, além de orientação de mitigação.

A FAO está fornecendo às fazendas mais afetadas nas províncias do norte e do sul insumos agrícolas essenciais, como fertilizantes e sementes, bem como equipamentos, tais como bombas de água, disse Coslet, acrescentando que a agência da ONU vai apoiar os agricultores a lidar com futuros choques com planejamento e formação em gestão de redução de risco.

Acesse aqui o documento da FAO.