Agência da ONU também condenou o ataque a quatro jornalistas palestinos e mostrou sua preocupação com a destruição de instalações da mídia.

Uma média de 90 pessoas vive em salas de aula como esta que foi atingida pela artilharia israelense. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan
As Nações Unidas e os seus parceiros humanitários aproveitam as sete horas de cessar-fogo anunciado por Israel em Gaza nesta segunda-feira (4) para reabastecer as escolas e edifícios usados como abrigos temporários para os cerca de 270 mil pessoas deslocadas por toda a Faixa de Gaza.
De acordo com o porta-voz Chris Gunness, a Agência de Assistência da ONU aos Refugiados da Palestina (UNRWA) usou esse período para reabastecer os 90 abrigos da ONU com comida, água e outros itens essenciais. Israel disse que permitiria uma “janela humanitária” pelo período de sete horas, começando às 10h no horário local. Gunness adicionou que as pessoas estão traumatizadas e vivendo com medo ao ver que nem um lugar que elas consideravam seguro, como os abrigos da ONU, podem protegê-las dos bombardeios.
Paralelamente, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) também condenou o ataque à terceira escola da ONU ocorrido no último domingo (3). “As escolas em Gaza tornaram-se o símbolo do desdobramento de uma tragédia humana”, disse Irina Bokova. “A proteção das escolas não pode esperar.”
Ela afirmou que a proteção das escolas é tão indispensável como a proteção de civis e uma pré-condição para trazer novamente o sistema de educação à normalidade. Pelo menos sete escolas da UNRWA servindo como abrigos foram atingidas, resultando em várias mortes de civis. No total, ao menos 137 escolas sofreram algum tipo de dano até o momento.
Jornalistas mortos em Gaza
A UNESCO também condenou nesta segunda-feira (4) as mortes de jornalistas em Gaza e expressou profunda preocupação com a destruição das instalações de mídia. “Tal como previsto nos acordos internacionais, os jornalistas devem ser protegidos inclusive quando estão trabalhando no local da ação”, disse Bokova.
O fotógrafo da agência de notícias Palestine Network for Press and Media, Rami Rayan, e o operador de câmera da TV Al Aqsa, Sameh al-Arya, foram mortos em duas rodadas de bombardeio em um mercado no bairro Shijaiyah, em 31 de julho. Na véspera, o apresentador da TV Palestina, Ahed Zaqout, foi morto quando sua casa foi bombardeada.
Também no dia 31 de julho um jornalista do jornal Al-Resalah, Mohamed Daherr, morreu devido aos ferimentos sofridos quando sua casa foi atingida num ataque 11 dias antes.
Seus nomes serão incluídos este ano na página web dedicada da UNESCO para jornalistas mortos no cumprimento do dever. A lista de palestinos mortos este ano pelas forças de Israel já chegou a seis.