Cultivo da papoula, planta utilizada na fabricação da droga, foi reduzido em 19%, de 2014 para 2015. É a primeira vez em seis anos em que foi identificado um encolhimento das áreas de plantio da espécie.

Em Helmand, província no sul do Afeganistão, mais de 84 mil hectares são utilizados para o cultivo da papoula. O valor corresponde a 47% da área total de plantio da espécie no país. Foto: WikiCommons / US Marines
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) registrou uma queda no cultivo de papoula e na produção de ópio, no Afeganistão. Em pesquisa realizada em parceria com o Ministério contra Narcóticos do país e divulgada nesta quarta-feira (14), a agência da ONU verificou, de 2014 para 2015, uma diminuição de 19% no plantio da espécie e de 48% na fabricação da droga. É a primeira vez em seis anos em que uma redução das áreas cultivadas foi registrada.
Atualmente, as plantações de papoula se estendem por cerca de 183 mil hectares no Afeganistão. Em 2014, os cálculos indicavam uma área de aproximadamente 224 mil hectares. A pesquisa aponta que a produção potencial de ópio foi afetada por essa redução. Para 2015, estima-se uma fabricação de 3.300 toneladas da droga, valor que representa uma queda de quase 50%, se comparado com índices de 2014, quando foram produzidas 6.400 toneladas.
A quantidade média de ópio produzida por hectare também caiu, de 28,7 kg em 2014 para 18,3 kg em 2015. Essa queda na produtividade é outra das principais causas da retração verificada na fabricação de ópio. Em 2015, houve ainda um aumento de 40% da área onde a plantação de papoula foi erradicada por campanhas do governo, que conseguiram eliminar 3.760 hectares cultivados nesse ano.
Apesar dos avanços, a pesquisa ressaltou uma diminuição do número de províncias afegãs livres do cultivo de planta. É o caso de Balkh, no norte do país, onde não haviam sido encontradas plantações em 2014. Agora, o plantio retornou ao local. A região sul do Afeganistão permanece a maior produtora de papoula e de ópio, sendo responsável pela fabricação de 53% da droga.