Desde abril desse ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já registrou 134 execuções e mais de 90 casos de tortura.

Tensões entre a população e o governo provocam revoltas em Bujumbura, no Burundi. Foto: IRIN / Desire Nimubona
O chefe de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, alertou, nesta segunda-feira (28), para um aumento do número de mortes e detenções arbitrárias no Burundi, desde o começo de setembro. Desde abril de 2015, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já registrou 134 execuções e mais de 90 casos de tortura.
“Quase todos os dias, cadáveres são encontrados pelas ruas de alguns dos bairros de Bujumbura (capital do Burundi). Em muitos casos, as vítimas parecem ter sido mortas por tiros de arma de fogo disparados a curta distância. Os corpos às vezes mostram sinais de tortura e são tipicamente encontrados com suas mãos amarradas atrás das costas”, afirmou Al Hussein.
De acordo com informações coletadas pelo alto comissário, um número considerável de pessoas mortas teria sido preso pela polícia ou pela Agência Nacional de Inteligência (SNR), antes de sua execução. Segundo o relator da ONU, houve um recrudescimento das operações de busca e apreensão realizadas na capital por essas instituições, que procuram armamentos ilegais e indícios de envolvimento em grupos rebeldes do Burundi e de países vizinhos.
“Essa sucessão de mortes não explicadas e a ampla percepção de que elas possam estar ligadas a instituições do Estado estão instilando um profundo sentimento de medo entre a população, especialmente em bairros conhecidos por apoiarem a oposição”, destacou o comissário. O Escritório das Nações Unidas teme que o aumento do número de execuções extrajudiciais e de casos de tortura provoque conflitos entre a população e o governo do país.