Escritório de direitos humanos da ONU pede moderação a manifestantes e forças policiais no Sudão

Testemunhas falam de corpos de manifestantes mortos com ferimentos de bala na parte superior do tronco e da cabeça. Pelo menos 30 pessoas morreram.

Porta-voz do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Cécile Pouilly. Foto: ACNUDH

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou nesta sexta-feira (27) preocupação com os relatos sobre dezenas de pessoas mortas nos protestos, em todo o Sudão, contra a decisão do governo de suspender os subsídios aos combustíveis.

Relatos da mídia apontam que pelo menos 30 pessoas morreram durante as manifestações, que começaram no estado central do Sudão de Gezira e depois se espalhou para outras partes do país, incluindo a capital, Cartum.

Uso de armas de fogo

A porta-voz do ACNUDH, Cécile Pouilly, disse que, em Cartum, violentos confrontos irromperam entre manifestantes e forças policiais, resultando em um número desconhecido de vítimas.

“Há notícias de que as forças de segurança teriam usado força excessiva para suprimir os protestos, com agentes de segurança supostamente disparando balas reais em alguns manifestantes e batendo em outros”, afirmou. “Testemunhas falam de corpos de manifestantes mortos com ferimentos de bala na parte superior do tronco e da cabeça. Houve também relatos de destruição de propriedade por manifestantes.”

O ACNUDH lembrou às autoridades que, sob o direito internacional, o uso letal intencional de armas de fogo só pode ser justificado quando for estritamente inevitável e só quando o interesse é o de proteger a vida.

“Apelamos a todas as partes que se abstenham de recorrer à violência e aos manifestantes que mantenham a natureza pacífica de suas manifestações”, acrescentou. “Nós também exortamos as autoridades a respeitar as liberdades civis das pessoas protestando e, em particular, o seu direito de se reunir pacificamente e expressar seus pontos de vista.”