O escritório de direitos humanos da ONU pediu que o governo de Gâmbia liberte todos os manifestantes detidos durante os protestos de 14 e 16 de abril na capital do país, Banjul, afirmando que estes simplesmente exerciam seu direito à liberdade de expressão, opinião e reunião.

Manifestações de 2014 em Gâmbia. Violações dos direitos humanos no país já preocupavam as Nações Unidas nessa época. Foto: UNFPA Gâmbia
O escritório de direitos humanos da ONU pediu na semana passada (13) que o governo de Gâmbia liberte todos os manifestantes detidos durante os protestos de 14 e 16 de abril na capital do país, Banjul, afirmando que estes simplesmente exerciam seu direito à liberdade de expressão, opinião e reunião.
“Recebemos informações preocupantes de que alguns dos que ainda estão detidos foram torturados”, disse o porta-voz Rupert Colville, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), a jornalistas em Genebra. “Há também relatos de que seus familiares não foram autorizados a visitá-los e que alguns tiveram cuidados médicos negados”.
O ACNUDH também reiterou seu apelo às autoridades gambianas para lançar uma investigação imparcial sobre a morte de Solo Sandeng, presidente da juventude do Partido Democrático Unido (UDP), de oposição, em 14 de abril, após ser levado sob custódia.
Duas outras ativistas da oposição que estavam desaparecidas, Fatoumata Jawara e Nogoi Njai, foram encontradas sob custódia, mas estariam em más condições de saúde.
O escritório da ONU também declarou estar profundamente preocupado com a situação de Alhagie Ceesay, diretor da estação de rádio Teranga FM, que foi julgado em julho de 2015 por perturbação da ordem pública e disseminação informações falsas.
Ceesay foi hospitalizado em várias ocasiões por sérios problemas de saúde, aparentemente devido à tortura e maus-tratos aos quais foi submetido na prisão. Ele foi visto pela última vez em 11 de abril.
“Pedimos ao governo gambiano que esclareça seu paradeiro, garanta que não seja submetido a tortura e maus-tratos e que tenha seu direito a um julgamento justo plenamente respeitado”, disse o porta-voz.
Segundo relatos da imprensa internacional, os manifestantes protestavam por uma reforma eleitoral e alguns exigiam a demissão do presidente Yahya Jammeh, no poder desde 1994.