Esforços para evitar reincidência de conflitos são insuficientes, afirma Comissão da ONU para a paz

Presidente da Comissão da ONU para a Consolidação da Paz, o brasileiro Antonio Patriota, afirma que crises na República Centro-Africana e no Sudão do Sul representam doloroso aviso dessa realidade.

Mais de 200 homens das forças de paz do Nepal chegam a Juba, vindos da Missão de Paz no Haiti para reforçar a junta militar da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS). Foto: ONU / Isaac Billy

Mais de 200 membros das forças de paz do Nepal chegam a Juba, vindos da Missão de Paz no Haiti para reforçar a junta militar da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS). Foto: ONU/Isaac Billy

O presidente da Comissão das Nações Unidas para a Consolidação da Paz (PBC), e também representante do Brasil junto à ONU, Antonio Patriota, informou ao Conselho de Segurança nesta terça-feira (15) que as recentes crises na República Centro-Africana (RCA) e no Sudão do Sul representam dolorosos avisos de que os esforços para evitar a reincidência desses conflitos permanecem insuficientes e as ferramentas utilizadas são inadequadas.

“Essas crises também lembram que as consequências da reincidência podem causar tragédias humanas incalculáveis ​​e criar instabilidade para além das fronteiras do Estado”, enfatizou o embaixador do Brasil sobre o trabalho da Comissão.

“O Conselho de Segurança foi encarregado de responder e procurar alternativas para pôr fim aos conflitos violentos, utilizando uma variedade de estratégias e ferramentas”, acrescentou, destacando o papel complementar da Comissão de Consolidação da Paz, criada em 2005 para ajudar a ONU a reforçar suas estratégias e encontrar caminhos para trazer estabilidade de longa duração para países que estejam saindo de conflitos.

“A maioria dos países que passaram por conflitos encontra dificuldades para desenvolver sistemas de geração de receitas internas necessários para sustentar instituições eficazes e restabelecer a legitimidade do Estado”, disse o representante brasileiro. “Seria essencial um apoio de longo prazo da ONU, da PBC, de parceiros regionais e, ainda mais importante, dos próprios países.”

O embaixador frisou que a apropriação, liderança e compromisso político nacional são ingredientes indispensáveis para garantir uma paz duradoura, adicionando que, no que diz respeito ao trabalho da Comissão, as estratégias de consolidação de paz e reconciliação devem ser adaptadas especificamente para cada país.

O embaixador afirma que a convocação para uma melhor interação entre a PBC e o Conselho de Segurança é fundamental para aperfeiçoar os procedimentos e aumentar o diálogo entre os dois órgãos para maximizar os ganhos. Uma análise mais profunda, apoiada por exemplos de diferentes países em relação aos esforços da ONU na contribuição para uma paz sustentável, permitiria à Comissão aprender e melhorar seu trabalho.

Ele também destacou que qualquer construção de paz só pode ser duradoura se incluir as mulheres como parte desse processo, enfatizando o foco dentro da Comissão no fortalecimento econômico das mulheres através de parcerias com a ONU Mulheres e colocando ênfase na inclusão de gênero em todas as áreas do processo de reconciliação nacional.