Especialista da ONU alerta para condições de saúde de presos de consciência no Irã

De acordo com um comunicado do escritório de direitos humanos da ONU, dois dos pelo menos oito prisioneiros estão em greve de fome desde outubro do ano passado. Relatora especial pediu às autoridades iranianas que libertem imediatamente todos os detidos arbitrariamente apenas por realizar o exercício de seus direitos.

Relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Irã, Asma Jahangir. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

Relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no Irã, Asma Jahangir. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

Destacando as graves condições de saúde de vários presos de consciência no Irã em greve de fome, a relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos no país, Asma Jahangir, pediu na segunda-feira (9) às autoridades iranianas que libertem imediatamente todos os detidos arbitrariamente e processados pelo exercício de seus direitos.

De acordo com um comunicado do escritório de direitos humanos da ONU, dois dos pelo menos oito prisioneiros estão em greve de fome desde outubro do ano passado.

Um deles deu fim à greve somente na semana passada, quando sua mulher, também defensora dos direitos humanos, teve sua fiança concedida. Outro detido – Mohammed Ali Taheri – iniciou seu protesto político em 28 de setembro. No entanto, seu paradeiro é desconhecido desde sua transferência para o Hospital Militar de Baghiatollah, em outubro.

Já o manifestante Arash Sadeghi teve pedido de transferências para instalações médicas especializadas negado, apesar de suas condições críticas de saúde.

“Peço às autoridades iranianas que assegurem que o senhor Sadeghi tenha acesso, como prioridade máxima, aos cuidados de saúde especializados em hospital fora da prisão, em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos e com a ética médica”, frisou Asma Jahangir.

Ela também expressou profunda preocupação com a contínua detenção de defensores de direitos humanos no país, que são geralmente detidos com base em delitos vagamente definidos e sentenciados depois de julgamentos marcados por violações processuais.

“Eles não têm outra opção senão colocar a sua vida em risco para contestar a legalidade de suas detenções”, acrescentou Jahangir.

A relatora especial também observou que tal situação persiste mesmo depois de o presidente do Irã, Hassan Rouhani, ter assinado recentemente a Carta dos Direitos do Cidadão. O documento preza pelo direito à vida, à liberdade de opinião, de expressão e de reunião pacífica no país.

O relator especial da ONU sobre a situação dos defensores de direitos humanos, Michel Forst, e o presidente do Grupo de Trabalho sobre detenções arbitrárias, Sètondji Roland Adjovi, também endossaram o pedido de Jahangir.