Especialista da ONU elogia adoção de ‘zona de paz’ na América Latina e no Caribe

Medida vai fortalecer região, excluir uso de armas de destruição em massa e redirecionar parte da verba de ações militares para saúde, educação e proteção do meio ambiente.

Governos latino-americanos e caribenhos podem agora redirecionar a verba de ações militares para saúde e educação. Foto: ONU/Logan Abassi

O especialista independente das Nações Unidas sobre a promoção de uma ordem internacional democrática e equitativa, Alfred de Zayas, elogiou a declaração da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que proclamou a região como uma “zona de paz”. O novo compromisso foi adotado pelos 33 países-membros da CELAC durante um encontro em Havana, Cuba.

“Esta nova declaração enfatiza a necessidade de um desarmamento universal, baseia-se nos objetivos e princípios das Nações Unidas, em particular a proibição da ameaça e uso da força, além da obrigação de negociar as diferenças conforme a Carta das Nações Unidas. É um exemplo forte e positivo para o mundo todo”, disse nesta segunda-feira (3).

Zayas observou que a nova declaração “é baseada no desejo legítimo de todos os povos de preservar e consolidar a paz por meio da promoção de relações amistosas entre os Estados e no compromisso de todos os países da ONU para resolver qualquer litígio através do diálogo e de meios pacíficos, em conformidade com o direito internacional”.

Segundo o especialista, a declaração vai fortalecer a integração regional e excluir o uso de armas de destruição em massa entre os países latino-americanos e caribenhos. O aumento das zonas de paz e cooperação no mundo leva ao compromisso dos governos para uma redução significativa nos orçamentos militares, acrescentou.

“Esta redução implica a liberação de recursos para o desenvolvimento e uma reorientação da força de trabalho dedicado às indústrias e atividades militares para as indústrias da paz, defesa dos direitos humanos, proteção do meio ambiente, luta contra o analfabetismo, promoção da educação e da pesquisa científica e médica, o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e a agenda de desenvolvimento pós-2015″, ressaltou Zayas.