Especialista da ONU pede que Israel pare construção de rodovia dentro de comunidade palestina

Estrada vai causar danos irreparáveis em Beit Safafa, bloqueando acesso a creches, escolas e postos de saúde, alertou Richard Falk.

Relator Especial da ONU para direitos humanos nos territórios palestinos, Richard Falk. Foto: ONU/Jess Hoffman

Relator Especial da ONU para direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Richard Falk. Foto: ONU/Jess Hoffman

O Relator Especial da ONU para direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Richard Falk, pediu na segunda-feira (13) que Israel interrompa imediatamente a construção de uma rodovia que vai dividir a comunidade palestina de Beit Safafa e pôr em perigo a subsistência de cerca de 9.300 pessoas.

“A projeção da estrada de seis pistas, que se estende por 1,5 km, vai causar danos irreparáveis à comunidade, cortando estradas locais e bloqueando o acesso a creches, escolas, postos de saúde, escritórios e locais de culto”, disse Falk.

O relator observou que aos moradores de Beit Safafa, que não foram consultados em nenhuma fase do planejamento, será imposta uma situação absurda em que o acesso a lugares dentro da comunidade, de fácil chegada a pé, agora exigirá viagens de carro em estradas de desvio e pontes.

Falk observou que o objetivo da rodovia, conhecida como “Estrada do Começo”, é anexar o assentamento Gush Etzion e pavimentar o caminho para uma maior expansão dos assentamentos ilegais israelenses em torno de Jerusalém Oriental.

O relator lembrou as recentes conclusões da Missão de Inquérito Internacional Independente sobre os assentamentos israelenses, que recomendou que as empresas privadas não devem lucrar com sua participação na iniciativa ilegal de assentamentos israelenses.

O projeto da estrada, iniciado em setembro, foi contestado no Tribunal Distrital de Jerusalém em dezembro passado, mas a petição dos moradores para impedir a construção foi rejeitada. Um recurso protocolado no Supremo Tribunal israelense contra a decisão do Tribunal Distrital também foi rejeitado, em março. Uma audiência de apelação para a petição foi agendada no Supremo Tribunal no dia 26 de junho.