Especialista da ONU no Haiti elogia declarações do governo, mas alerta para situação das prisões

Na avaliação de Forst, por razões “aparentemente burocráticas”, o suprimento de comida está prestes a ser interrompido e as condições higiênicas são precárias.

Uma cela com duas camas acomoda uma dúzia de prisioneiros na Prisão Central do Haiti, 2011. Foto: ONU / Logan Abassi

O Especialista Independente das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos no Haiti, Michel Forst, disse estar impressionado com as notícias sobre as declarações do governo em dar maior autonomia ao poder judiciário no país. Alerta, no entanto, para condições precárias nas prisões e diz ser preciso monitorar os resultados dessas promessas.

“Eu vejo essas declarações como o início da tão esperada e necessária separação entre os poderes executivo e judiciário”, se referindo às notícias sobre a designação de juízes pelo presidente para os seis assentos vagos na Corte Suprema do país.

Na avaliação de Forst, por razões “aparentemente burocráticas”, o suprimento de comida está prestes a ser interrompido e as privadas deixaram de ser esvaziadas, isso em meio a uma epidemia de cólera. “É profundamente chocante, sem mencionar o risco de um explosão de violência que a falta de ação do governo pode provocar quando os prisioneiros deixam de receber comida”.

Ele também demonstrou preocupação com a possibilidade de serem readmitidos policiais com passado questionável na polícia oficial do país, e espera que o medo de inércia do judiciário seja rapidamente dissipado pelas novas autoridades.