Segundo relatos, três dias antes da morte de Peter Moi, o presidente Kiir teria ameaçado jornalistas e profissionais da mídia em uma coletiva de imprensa.

Menina segura a bandeira do Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo. Foto: Wikicommons/Timothy McKulka/USAID (CC)
Os relatores especiais da ONU sobre liberdade de expressão, David Kaye, e de execuções extrajudiciais, Christof Heyns, condenaram nesta quinta-feira (27) o assassinato do jornalista sul-sudanês, Peter Moi, o sétimo morto apenas neste ano. Moi faleceu após receber disparos de dois homens não identificados em seu caminho para casa. Em maio, o radiojornalista James Raeth, baseado em Aboko, também foi assassinado em um ataque por autores desconhecidos.
Segundo relatos, três dias antes da morte de Moi, o presidente Kiir teria ameaçado jornalistas e profissionais da mídia em uma coletiva de imprensa e declarado que a liberdade de expressão não significa trabalhar contra o país.
“Como muitos, me senti indignado com as declarações atribuídas ao presidente Kiir”, disse Kaye. “No entanto, eu tomo nota da recente declaração do ministro de Informação do Sudão do Sul em negar qualquer intenção por parte das autoridades para cercear os jornalistas”, complementou, instando as autoridades do país a promover um ambiente seguro e propício para que os jornalistas possam trabalhar de forma independente e sem interferência.
Já o relator especial para execuções extrajudiciais afirmou que “líderes políticos têm o dever de abster-se de fazer declarações provocativas contra jornalistas” e pediu ao governo para tomar todas as medidas necessárias para prevenir esses assassinatos, além de investigar e condenar os culpados por esses crimes.