Especialistas da ONU criticam represália contra mulher iraniana que busca parentes desaparecidos

Raheleh Rahemipour tenta descobrir o paradeiro do irmão e da sobrinha, desaparecidos há 30 anos. Seu irmão foi visto pela última vez em agosto de 1984, na prisão de Evin, em Teerã, um ano após ele e sua esposa grávida terem sido presos por convicções políticas. A filha do casal nasceu no cárcere, mas foi retirada do presídio quando tinha apenas alguns dias de vida.

Prisão de Evin, no Irã. Foto: WikiCommons

Prisão de Evin, no Irã. Foto: WikiCommons

Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU pediu na semana passada (24) às autoridades do Irã que acabem com o assédio contra Raheleh Rahemipour, mulher iraniana que tenta descobrir o paradeiro de seu irmão e sua sobrinha desaparecidos há 30 anos.

Seu irmão foi visto pela última vez em agosto de 1984, na prisão de Evin, em Teerã, um ano após ele e sua esposa grávida terem sido presos por convicções políticas.

A filha do casal nasceu no cárcere, em abril do mesmo ano, mas foi retirada do presídio quando tinha apenas alguns dias de vida. As autoridades informaram que o casal havia morrido.

De acordo com os especialistas do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários, a campanha do Estado iraniano contra Raheleh Rahemipour é uma represália direta por sua busca pelos familiares.

Rahemipour disse que enfrenta acusações criminais e recebe mensagens e ligações intimidadoras do sistema de segurança iraniano, além de passar por longos interrogatórios na prisão de Evin.

“Em vez de investigar os relatos de desaparecimento dos parentes de Rahemipour, o Estado iraniano resolveu lançar mão de uma campanha de assédio e de intimidação contra ela”, disseram os especialistas, pedindo que o governo retire todas as acusações contra a mulher.

“Estamos preocupados com o fato de que o processo judicial contra Rahemipour represente uma represália direta pelo seu ativismo na busca por seus familiares, assim como pelo seu exercício dos seus direitos de reunião pacífica e de liberdade de expressão”, acrescentaram.

Os especialistas afirmaram que as perseguições contra a mulher se intensificaram desde que as preocupações sobre o desaparecimento dos parentes de Rahemipour foram levadas ao governo do país pelo Grupo de Trabalho.

“Nós enviamos nossas preocupações às autoridades do país em agosto de 2016, mas, em vez de responder aos nossos apelos, o governo acusou Rahemipour por uma série de crimes contra a segurança nacional, incluindo propaganda contra o regime e participação em manifestações ilegais”, frisaram os relatores.

Eles pediram às autoridades do Irã que detenham quaisquer atos de retaliação contra parentes, testemunhas e defensores dos direitos humanos que denunciem casos de desaparecimento forçado.