Especialistas da ONU pedem agilidade na transição do setor de transporte para veículos elétricos

Para a especialista do PNUMA Ligia Noronha, o uso de combustíveis fósseis está custando muito caro para o clima, a saúde e economia. Novos veículos permitem alcançar zero emissões de dióxido de carbono.

Modelo de um veículo elétrico. Foto: PNUMA

Modelo de um veículo elétrico. Foto: PNUMA

Ministros e altos representantes da indústria, da sociedade civil e de organizações internacionais pediram nesta terça-feira (08) uma mudança para veículos zero emissões (VZE) como um componente-chave da futura estratégia global contra a mudança do clima.

Atualmente, o setor de transportes depende quase que completamente de combustíveis fósseis. Isso contribui aproximadamente com um quarto das emissões de dióxido de carbono, e, como o rápido crescimento do setor, essa cifra pode aumentar, alcançado um terço de emissões.

Liderando pelo exemplo, alguns países puseram em prática políticas para apoiar a utilização de veículos elétricos. Por exemplo, através de um conjunto abrangente de medidas fiscais e não fiscais, um em cada quatro carros vendidos na Noruega hoje é elétrico; enquanto na China, uma estratégia nacional, que começou há dez anos, já utiliza motos movidas à energia nas principais cidades, além da implementação de uma rede de 230 milhões de bicicletas elétricas. Essas práticas precisam ser ampliadas e replicadas em todo o mundo para alcançar o impacto desejado.

Especialistas também reconheceram que esses veículos precisam ser vistos como parte de uma mudança maior rumo a um setor de transportes mais limpo que inclua um melhor planejamento das cidades, transporte público e transporte não motorizado. Um relatório recente da Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, a cada ano, 7 milhões de pessoas morrem prematuramente devido à poluição do ar, cerca de metade proveniente da poluição externa.

Para a diretora da divisão de Tecnologia, Indústria e Economia do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), Ligia Noronha, a adoção desse tipo de veículo é primordial neste momento. “O contínuo uso de combustíveis fósseis para veículos está custando muito caro – em termos de clima, poluição do ar e economia. Para chegar aos benefícios necessários, precisamos garantir que isso será uma verdadeira mudança global – em todos os países e regiões.”

Já o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos, os veículos de zero emissões permitirão ganhos reais em qualidade do ar e diminuição de problemas de saúde. “Os VZEs também vão reduzir a poluição local do ar nas cidades com grandes danos à saúde e à economia. A adoção da mobilidade elétrica será mais viável e produtiva se as cidades adotarem planejamento e medidas compactas para melhorar o transporte público.”