Especialistas da ONU pedem apoio ao presidente Obama para divulgar relatório sobre abusos da CIA

“Esperamos que, como presidente de uma nação que ajudou a redigir a Convenção contra a Tortura – e como um laureado com o Prêmio Nobel da Paz – o senhor reconhecerá a natureza histórica de sua decisão e ficará do lado daqueles que, nos Estados Unidos e por todo o mundo, estão lutando pela verdade e para acabar com o uso da tortura”, diz a carta aberta enviada ao presidente dos Estados Unidos.

Sede do Alto Comissariado da ONU em Genebra (Suíça). Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Sede do Alto Comissariado da ONU em Genebra (Suíça). Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediu, nesta quarta-feira (26), ao presidente dos EUA, Barack Obama, apoio para divulgar, o mais rápido possível, o relatório sobre as práticas de interrogatório usadas pela Agência Central de Inteligência (CIA). O documento foi compilado pelo Comitê Restrito de Inteligência do Senado (SSCI) norte-americano.

Em uma carta aberta, os especialistas afirmam que “como uma nação que tem afirmado publicamente seu respeito pelo avanço da verdade e respeito pelo Estado de Direito, e como uma nação que frequentemente pede transparência e prestação de contas para outros países, os Estados Unidos devem a cumprir as normas estabelecidas para si e para os outros”.

Lançada no início de 2009, a investigação do Senado levou quatro anos e examinou milhões de páginas de documentos e e-mails da CIA. O relatório foi aprovado pelo comitê do Senado no final de 2012 e sua liberação para o público foi aprovada em abril 2014 por uma grande maioria. Mas ainda não foi lançando devido à uma série de exigências da CIA.

“Usando como base nosso trabalho em muitos países ao redor do mundo, acreditamos que outros Estados estão acompanhando esta questão de perto”, declararam os especialistas na carta aberta. “Vítimas de tortura e defensores dos direitos humanos em todo o mundo serão encorajados se o senhor tomar uma posição forte a favor de transparência. Pelo contrário, se ceder às exigências de sigilo da CIA sobre esta questão, aqueles que não querem ser responsabilizados por seus crimes podem reforçar a sua própria agenda em seus países”.

“Uma segurança duradoura só pode ser alcançada com base na verdade e não no sigilo”, lembraram os peritos.

“Esperamos que, como presidente de uma nação que ajudou a redigir a Convenção contra a Tortura – e como um laureado com o Prêmio Nobel da Paz – o senhor reconhecerá a natureza histórica de sua decisão e ficará do lado daqueles que nos Estados Unidos e por todo o mundo estão lutando pela verdade e para acabar com o uso da tortura.”