Especialistas da ONU pedem mais proteção para quem procura vítimas de desaparecimentos forçados

Relatores de direitos humanos afirmaram que, em todo o mundo, associações de parentes e ONGs estão enfrentando ameaças e dificuldades financeiras para continuar suas atividades.

Protesto no Rio de Janeiro em agosto de 2013 cobra das autoridades esclarecimento sobre desaparecimento forçado de um ajudante de pedreiro. Foto: Fernando Frazão/ABr

Protesto no Rio de Janeiro em agosto de 2013 cobra das autoridades esclarecimento sobre desaparecimento forçado de um ajudante de pedreiro. Foto: Fernando Frazão/ABr

“É preciso melhorar a proteção daqueles que trabalham para acabar com os desaparecimentos forçados”, disseram os presidentes do Comitê da ONU sobre Desaparecimentos Forçados e do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários à Assembleia Geral da organização, em reunião realizada na semana passada.

Os especialistas também ressaltaram como a natureza brutal dos desaparecimentos forçados exige que todas as partes trabalhem com rapidez e de forma construtiva para garantir o fim dos sumiços e a punição dos culpados.

O chefe do Comitê sobre Desaparecimentos Forçados, Emmanuel Decaux, entregou o segundo relatório elaborado pelo organismo à Assembleia Geral da ONU e afirmou que o grupo já começou a examinar os processos apresentados pelos países e receber solicitações para localizar e proteger individualmente vítimas de desaparecimentos.

Já o presidente-relator do Grupo de Trabalho, Ariel Dulitzky, enfatizou a necessidade de identificar e desenvolver novas estratégias para enfrentar os desafios atuais para eliminar os desaparecimentos forçados.

“Novas políticas devem ser adotadas, técnicas criativas devem ser usadas e meios inovadores devem ser concebidos de forma a resolver os casos de desaparecimentos forçados individualmente”, sugeriu.

Os especialistas ressaltaram o papel das associações de parentes e das organizações não governamentais (ONGs), que estão encontrando cada vez mais desafios financeiros para localizar as vítimas. “É responsabilidade dos governos e doadores apoiarem fortemente parentes e organizações que estão pedindo justiça, verdade e reparação”, concluíram.