Um novo bombardeio nas imediações de uma escola da ONU em Rafah deixou 10 civis palestinos mortos neste último domingo (3). Desde 20 de julho, nove funcionários da ONU em Gaza já foram mortos. O número de crianças assassinadas chegou a 392.

Uma das milhares de crianças que se refugiam nas escolas da ONU em Gaza no pátio de uma das escolas bombardeadas. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan
Em meio a uma escalada “terrível” de violência na Faixa de Gaza desde o colapso de um breve cessar-fogo na sexta-feira (01), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou veementemente o assassinato neste domingo (03) de, pelo menos, 10 civis palestinos que morreram devido aos bombardeios que aconteceram nas imediações de uma escola da ONU em Rafah, que servia de refúgio para milhares de civis.
“Os abrigos das Nações Unidas devem ser zonas seguras, não zonas de combate”, disse o secretário-geral, que acrescentou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) têm sido repetidamente informadas sobre a localização das escolas da ONU. “Este ataque, junto com outras violações do direito internacional, devem ser rapidamente investigados e os responsáveis responsabilizados. É um ultraje moral e um ataque criminoso.”
Essa declaração contundente do chefe da ONU ocorre depois do colapso na sexta-feira (01) de um cessar-fogo humanitário mediado pelas Nações Unidas e os Estados Unidos, e na sequência de dois ataques perto de escolas administradas pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).
Com a ruptura da trégua e a intensificação dos ataques em Gaza, os funcionários humanitários da ONU disseram que as semanas de intensos ataques deixaram os serviços e instalações médicas do enclave “à beira do colapso”, advertindo que um desastre na área de saúde está se desenvolvendo rapidamente em proporções generalizadas.
Em um comunicado conjunto, a UNRWA e a Organização Mundial da Saúde (OMS) expressaram séria preocupação com a falta de proteção para as equipes e instalações de saúde, bem como a deterioração do acesso aos serviços de saúde de emergência para os 1,8 milhão de palestinos no da Faixa de Gaza.
O número de crianças assassinadas até agora em Gaza chegou a 392, informou o UNICEF, o que ultrapassa a operação israelense de 2008-2009, de 350 crianças mortas.
“A calma pode ser restaurada através da retomada do cessar-fogo e negociações entre as partes no Cairo para abordar as questões subjacentes”, disse Ban, que reiterou sua exigência para que as partes cessem imediatamente os combates e retomem o caminho da paz. “Essa loucura deve terminar”, exigiu o chefe da ONU.
Nove funcionários da UNRWA mortos
A forte condenação de Ban se juntou a do coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, que também expressou consternação com os relatos de bombardeios nas imediações da escola da UNRWA, que servia de refúgio para 3 mil civis deslocados pela violência em curso.
“É simplesmente intolerável que uma outra escola tenha sofrido ataques enquanto servia de abrigo para civis que fogem das hostilidades”, disse Serry, que sublinhou o apelo do secretário-geral para que todas as partes respeitem a inviolabilidade das instalações da ONU e protejam os civis.
Enquanto isso, a UNRWA anunciou no domingo (03) que desde 20 de julho a Agência perdeu nove funcionários, trabalhadores humanitários mortos pelo “conflito impiedoso”.
“Eram pessoas que tinham dedicado anos ou décadas para servir os refugiados palestinos de Gaza”, disse o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krahenbuhl. “Muitos deles eram educadores, que transmitiam para as crianças a esperança de um futuro melhor e as apoiavam através dos momentos difíceis. A forma cruel que elas perderam a vida tem devastado suas famílias e todos nós na UNRWA”, ele disse.