Para Mutuma Ruteere, incidentes de violência e racismo durante o campeonato da UEFA são a evidência de que o racismo no esporte é um sério problema.
Os Estados devem se antecipar aos sinais de racismo que podem, eventualmente, originar graves violações dos direitos humanos em grandes eventos esportivos. A recomendação foi feita na terça-feira (03/07) pelo Relator Especial sobre Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação Social, Xenofobia e Intolerância, Mutuma Ruteere.
Em relato ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, Ruteere abordou os riscos de envolvimento de grupos extremistas em eventos esportivos. “Símbolos neonazistas, slogans e banners posicionados em partidas de futebol assim como músicas contra jogadores de origem africana não devem ser tolerados”, afirmou. Ele mencionou incidentes recentes de violência e racismo durante o campeonato da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), como evidências de que o racismo no esporte é um sério problema.
“Peço que os Estados intensifiquem a luta contra o racismo e fortaleçam o papel dos esportes na promoção da diversidade cultural”, disse Ruteere. “Em particular, às véspera das próximas olimpíadas é crucial que mais medidas preventivas sejam tomadas para evitar esse tipo de incidente durante o evento que alcançará o mundo inteiro”.
O Relator Especial também alertou sobre a retórica incendiária de partidos políticos no contexto da atual crise econômica. “Grupos vulneráveis foram feitos de bodes expiatórios do aumento do desemprego e da dívida do Estado e rotulados como ameaça para o padrão de vida da população em geral pelos partidos políticos extremistas”, disse. Para ele, hoje são maiores os desafios de combate ao extremismo político.