Estados-membros da ONU adotam compromisso para erradicar epidemia de Aids até 2030

Uma nova declaração política sobre o fim da Aids foi adotada nesta quarta-feira (8) pelos Estados-membros das Nações Unidas na reunião de alto nível sobre o tema, que ocorre até sexta-feira (10) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Objetivo é reduzir o número de pessoas infectadas pelo HIV de 2,1 milhões em 2015 para menos de 500 mil em 2020, o número de mortes relacionadas à Aids de 1,1 milhão em 2015 para menos de 500 mil em 2020 e eliminar a discriminação relacionada ao HIV. O intuito é acabar com a epidemia da doença até 2030.

Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS, fala sobre a importância dos próximos 5 anos para o fim da epidemia. Foto: UNAIDS

Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS, fala sobre a importância dos próximos 5 anos para o fim da epidemia. Foto: UNAIDS

Uma nova declaração política sobre o fim da Aids foi adotada nesta quarta-feira (8) pelos Estados-membros das Nações Unidas na reunião de alto nível sobre o tema, que ocorre até sexta-feira (10) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

A declaração política inclui um conjunto de metas específicas com prazos definidos que devem ser alcançadas até 2020 para acabar com a epidemia de Aids até 2030 no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A cúpula teve a presença de chefes de Estado e de governo, ministros, pessoas que vivem com HIV, representantes da sociedade civil, organizações internacionais, setor privado, cientistas e pesquisadores.

“A comunidade global está unida e determinada a alcançar o fim da epidemia de Aids no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, disse o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Mogens Lykketoft.

“Esta reunião visa a estabelecer as bases para um progresso futuro na criação de resultados mais saudáveis para todos os afetados pelo HIV e para a construção de sociedades mais fortes e preparadas para desafios futuros.”

“O mundo tem a oportunidade de acabar com uma epidemia que definiu a saúde pública de uma geração”, disse por sua vez o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé.

“As decisões tomadas aqui, incluindo o compromisso de zero nova infecção por HIV, zero morte relacionada à Aids e zero discriminação, irão proporcionar o ponto de partida para a implementação de uma agenda inovadora, baseada em evidências e socialmente justa que alcançará o fim da epidemia de Aids até 2030.”

Segundo o UNAIDS, um progresso memorável foi alcançado na resposta ao HIV desde a última reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o tema, em 2011.

Em dezembro de 2015, 17 milhões de pessoas tinham acesso a medicamentos antirretrovirais. No mesmo ano, os números de novas infecções pelo HIV entre crianças e de mortes relacionadas à Aids foram significativamente reduzidos, enquanto houve também progresso na redução de mortes por tuberculose entre pessoas vivendo com HIV.

No entanto, o número de novas infecções pelo HIV entre adultos permaneceu quase estável desde 2010 e muitas pessoas estão sendo deixadas para trás na resposta à doença, incluindo mulheres jovens, meninas e grupos como profissionais do sexo, pessoas privadas de liberdade, homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e pessoas que usam drogas injetáveis.

Loyce Maturu, do Zimbábue, fala sobre viver com HIV, transmissão vertical, estigma e discriminação. Foto: UNAIDS

Loyce Maturu, do Zimbábue, fala sobre viver com HIV, transmissão vertical, estigma e discriminação. Foto: UNAIDS

A reunião ressaltou a importância de acelerar a resposta para o HIV durante os próximos cinco anos a fim de colocar o mundo no caminho para o fim da epidemia da doença.

A aceleração da resposta tem um conjunto de metas com prazos definidos, incluindo a redução do número de pessoas infectadas pelo HIV de 2,1 milhões em 2015 para menos de 500 mil em 2020, a redução de mortes relacionadas à Aids de 1,1 milhão em 2015 para menos de 500 mil em 2020 e a eliminação da discriminação relacionada ao HIV.

A cúpula foi marcada por uma série de debates e eventos para discutir como transformar a declaração em ação coordenada através da inovação científica, sustentabilidade financeira, eliminação do estigma e da discriminação e criação de sociedades inclusivas, resilientes e socialmente justas, que não deixam ninguém para trás.

A reunião abrigou eventos paralelos, entre eles um debate sobre como aproveitar o fim da Aids para a transformação social e desenvolvimento sustentável, financiando e sustentando o fim da doença e zerando novas infecções pelo HIV.

O UNAIDS lançará um relatório sobre o progresso alcançado em impedir novas infecções pelo HIV entre crianças e anunciou, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros, que mais três países eliminaram novas infecções pelo HIV entre as crianças — entre eles a Tailândia, que no pico da epidemia teve mais de 3 mil novas infecções entre crianças por ano.

Outros eventos incluem uma reunião preparatória da juventude e um serviço interreligioso. A reunião também terá apresentação de novas tecnologias e ferramentas na área de saúde e HIV.

 

Momento histórico do combate à epidemia

A diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, participou da reunião em Nova York e falou à Rádio ONU sobre o “momento histórico” no combate à doença, em que o mundo pode “realmente vislumbrar o fim da epidemia”.

Georgiana defendeu uma união de toda a sociedade para que essa meta seja alcançada e abordou o engajamento de jovens e o combate à discriminação.

Ouça aqui a entrevista.