Estados precisam garantir saúde de adolescentes, diz relator da ONU

Relatório de especialista independente das Nações Unidas apresentado em junho ao Conselho de Direitos Humanos afirmou que todos os adolescentes devem ter acesso a informação, serviços e bens de saúde sexual e reprodutiva de forma confidencial e não discriminatória. De acordo com o relator, a educação sexual deve fazer parte do currículo escolar e ser abrangente, inclusiva e dada de acordo com a idade, com base em evidências científicas e nos direitos humanos.

Relator especial disse que adolescentes devem ser protegidos da violência e negligência, incluindo em suas famílias. Foto: Wikimmedia Commons / CC

Relator especial disse que adolescentes devem ser protegidos da violência e negligência, incluindo em suas famílias. Foto: Wikimmedia Commons / CC

Um especialista independente das Nações Unidas pediu em meados de junho (15) que os Estados garantam o acesso de adolescentes a serviços de saúde, principalmente mental, sexual e reprodutiva, e abordem o tema do consumo de drogas tendo a saúde como ponto central, segundo relatório enviado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

“Os governos precisam chegar a um equilíbrio entre a crescente autonomia dos adolescentes e seu direito à proteção, em particular quando se refere a saúde mental, direitos a saúde reprodutiva e sexual, e uso de substâncias e controle de drogas, dados os desafios específicos que essas questões levantam”, disse Dainius Puras, relator especial da ONU para o direito à saúde, em comunicado.

No relatório, o especialista enfatizou que os serviços de saúde devem respeitar o direito dos adolescentes à privacidade e à confidencialidade, endereçar suas diferentes necessidades culturais e seguir padrões éticos.

“Isso é particularmente importante quando se refere a fornecer serviços de saúde mental a adolescentes”, disse o relator. “Intervenções psicossociais devem ser fornecidas no nível comunitário de forma ética e consistente com os direitos dos adolescentes, e com base nas evidências disponíveis, com o objetivo de evitar a institucionalização e o uso excessivo de medicações psicotrópicas”.

Além disso, Puras enfatizou que os Estados precisam adotar ou integrar políticas de saúde sexual e reprodutiva abrangentes para todos os adolescentes em estratégias nacionais para garantir o acesso universal a esses serviços.

Sobre esse tema, ele faz uma série de recomendações, afirmando que o aborto não deve ser criminalizado, já que os procedimentos inseguros levam a um número maior de mortes maternas e riscos para a saúde mental e física das mães; todos os adolescentes devem ter acesso a informação, serviços e bens de saúde sexual e reprodutiva de forma confidencial e não discriminatória; a educação sexual deve fazer parte do currículo escolar, ser abrangente e inclusiva de acordo com a idade e dada com base em evidências científicas e nos direitos humanos.

O relator também pediu que os Estados busquem alternativas para as políticas de controle e repressão ao consumo de drogas, incluindo a descriminalização e regulação legal das drogas, e que impulsionem o debate internacional sobre esse tema tendo o direito à saúde como ponto central.

“Todos os centros de detenção para adolescentes que consomem drogas devem ser fechados, com a adoção de políticas de prevenção, redução de danos e tratamentos para dependentes, sem discriminação”, disse.

Para o relator especial, os adolescentes devem ser protegidos da violência e negligência, incluindo em suas famílias, com o acesso a serviços de aconselhamento confidenciais, mesmo sem o consentimento dos pais.

“As bases criadas durante a adolescência têm profundas implicações para o desenvolvimento socioeconômico e  político da sociedade como um todo. Portanto, os custos de se falhar com os adolescente são muito altos”, acrescentou.

 

Leia aqui o relatório completo (em inglês).