Estagnada há três anos, exportação na América Latina deve crescer apenas 0,8% em 2014, diz ONU

O relatório lançado pela CEPAL afirma que a lenta recuperação da economia internacional e uma queda do comércio intra-regional explicam o baixo desempenho.

Porto de Santos. Foto: Codesp/Flickr (Creative Commons)

Porto de Santos. Foto: Codesp/Flickr (Creative Commons)

O comércio exterior da América Latina e do Caribe completará três anos de estagnação em 2014, devido a um escasso crescimento das exportações da região e a uma leve queda de suas importações, segundo informou nesta quinta-feira (09) a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e Caribe (CEPAL).

A Comissão divulgou em Santiago, Chile, seu Relatório anual Panorama da Inserção Internacional da América Latina e Caribe 2014, em que projeta que o valor das exportações regionais crescerá em média somente 0,8% este ano, após ter aumentado 23,5% em 2011, 1,6% em 2012 e cair 0,2% em 2013, enquanto que as importações da região cairão 0,6% em 2014, após o aumento de 21,7% em 2011 e 3,0% apresentado em 2012 e em 2013.

O fraco desempenho do comércio exterior regional deve-se principalmente ao baixo dinamismo da demanda externa de alguns de seus principais mercados, em especial a União Europeia, junto com a queda importante no comércio intra-regional. Soma-se a isto, a diminuição nos preços de diversos produtos básicos que a região exporta, principalmente minérios.

O relatório mostra que as exportações do México e da América Central serão as mais dinâmicas em 2014, com um crescimento de 4,9% em valor em seu conjunto, vinculado ao melhor desempenho dos Estados Unidos, enquanto que as vendas externas do MERCOSUL apresentarão uma queda de 2,3%.

No documento, a CEPAL destaca que a participação dos países da América Latina e do Caribe nas três principais cadeias de valor globais (América do Norte, Europa e Ásia) é escassa. Com exceção do México, a região não se constitui um fornecedor importante de bens intermediários não primários para estas cadeias, nem tem um peso significativo como importador de bens intermediários procedentes dessas regiões do mundo.

Novo enfoque em comércio intra-regional

A CEPAL enfatiza que a participação nas cadeias de valor internacionais pode acarretar múltiplos benefícios potenciais para o desenvolvimento de um comércio que favoreça o crescimento e a produtividade, que reduza a heterogeneidade estrutural, melhore o bem-estar da maioria -com mais emprego e melhores salários- e reduza a desigualdade.

O relatório acrescenta que para ampliar as oportunidades de um novo enfoque de comércio, fundamentado em uma maior articulação inter e intra-regional de cadeias de valor, é indispensável adotar políticas ativas vinculadas ao maior investimento em infraestrutura, em inovação e em ciência e tecnologia, além de políticas de financiamento inclusivo que apoiem as pequenas e médias empresas. Isto permitirá escalar a patamares de maior valor agregado com melhoras na inovação de processos e produtos.

No documento, a CEPAL chama a atenção para fortalecer em particular a integração e a cooperação regionais, já que constituem um caminho essencial para diversificar a estrutura produtiva e exportadora da região. Para isso, a Comissão indica a necessidade de reformular as políticas industriais dos países e passar de uma ótica exclusivamente nacional para uma regional ou sub-regional onde se evite o protecionismo no comércio e a concorrência para atrair o investimento estrangeiro mediante “guerras de incentivos”, ao mesmo tempo em que se avance para um mercado regional com regras comuns.