Apesar dos avanços conquistados nos últimos 15 anos, doença deve tirar a vida de cerca de 1,5 milhão de pessoas somente em 2016. A tuberculose afeta desproporcionalmente os mais pobres e mais vulneráveis, os socialmente marginalizados e as pessoas que não têm acesso a serviços de saúde e outros serviços básicos. Rede de pesquisa do Brasil é exemplo global, destacou a OMS.

Criança recebe remédio contra a tuberculose no Sudão do Sul, no âmbito de um programa apoiado pelo PNUD e pelo Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária. Foto: PNUD Sudão do Sul / Brian Sokol
No dia Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu esforços globais conjuntos para acabar com a doença mortal até 2030. Ele alertou que só em 2016 a doença deve tirar a vida de cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Entre 2000 e 2015, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da tuberculose salvou 43 milhões de vidas. A taxa de mortalidade pela doença caiu quase pela metade. Ban lembrou que foi alcançada a meta específica dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de reverter a incidência da doença.
“Mas a luta contra esta doença mortal está apenas metade ganha”, alertou o chefe da ONU em uma mensagem anual para a data. Além das 1,5 milhão de mortes, a doença deve afetar mais de 9,6 milhões de homens, mulheres e crianças.
Em um comunicado de imprensa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que a tuberculose se equipara ao HIV/Aids como principal causa de morte entre as doenças infecciosas do planeta. A agência da ONU destacou progressos observados em diversos países, incluindo Índia, África do Sul, Rússia, Brasil e Vietnã.
Segundo a OMS, Brasil e Vietnã são exemplos de países com serviços básicos eficazes de combate à tuberculose. Segundo o comunicado da agência, o Brasil formou uma rede nacional de pesquisadores sobre o tema, a Rede TB, que está trabalhando em ciência básica, ensaios clínicos e outras prioridades de pesquisa.
No ano passado, a Assembleia Geral da ONU adotou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – e acabar com a epidemia de tuberculose até 2030 é uma das metas da Agenda. A doença afeta desproporcionalmente os mais pobres e mais vulneráveis, os socialmente marginalizados e as pessoas que não têm acesso a serviços de saúde e outros serviços básicos.
“Portanto, o progresso para acabar com a tuberculose deve estar de mãos dadas com outros esforços dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para reduzir as desigualdades, eliminar a pobreza extrema, garantir a proteção social, alcançar cobertura universal da saúde e pôr fim ao HIV/Aids”, disse Ban Ki-moon.
Acabar com a epidemia, lembrou a ONU, exige ações coordenadas que vão além da área de saúde: ministérios e departamentos responsáveis pelas áreas de trabalho, justiça, assistência social, migração e ciência e tecnologia, por exemplo, podem fazer a diferença. Ban Ki-moon lembrou ainda sobre a necessidade de envolver as pessoas afetadas e suas comunidades, bem como organizações não governamentais, pesquisadores e o setor privado.
OPAS/OMS pede união pelo fim da tuberculose nos próximos 20 anos
Marcando a data, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) conclamou os países das Américas a trabalhar unidos para acabar com a doença até 2030. O lema deste ano é “Unidos para pôr fim à tuberculose” e faz referência à necessidade de que governos, parlamentares, trabalhadores de saúde, comunidades, setor privado e sociedade civil trabalhem de maneira coletiva na prevenção e controle da doença, algo que excede as capacidades do setor de saúde.
“A tuberculose não é somente um problema médico, é um problema social, porque está relacionado com a pobreza, a marginalidade e as más condições de vida. E, como tal, requer ser abordado por toda a sociedade”, afirmou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Análise de Saúde da OPAS/OMS, Marcos Espinal.
As Américas têm reduzido os novos casos de tuberculose (taxa de incidência) e diminuído a mais da metade as mortes (taxa de mortalidade) entre 1990 e 2014, alcançando como região a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) referentes à tuberculose.

Imagem: OPAS/OMS
A nova meta mundial pós-2015 e a estratégia da OMS buscam acabar com a doença nos próximos 20 anos. Entretanto, estima-se que na região das Américas 280 mil pessoas ainda adoecem a cada ano e 23 mil morrem como consequência da tuberculose.
Para avançar neste caminho, autoridades de saúde da região decidiram no ano passado reduzir a taxa de mortes por tuberculose em ao menos 24% para 2019.
Para alcançar esta meta, o Plano de Ação para a Prevenção e Controle da Tuberculose da OPAS estipula intensificar a atenção centrada no paciente, aumentar a investigação sobre prevenção e controle da tuberculose, mobilizar novos fundos para as iniciativas implementadas contra a tuberculose e assegurar que tanto as comunidades como diferente setores participem nestes esforços.
“Devemos focar os esforços nos grupos que estão em mais risco de contrair a doença em nossa região, como as pessoas com HIV, as populações de bairros marginais das cidades, as pessoas privadas de liberdade, os indígenas, as crianças, as pessoas em situação de rua e aqueles com problemas de vício”, disse Mirtha Del Granado, assessora regional da OPAS/OMS em tuberculose.
Segundo a especialista, o financiamento pleno dos programas nacionais de tuberculose que garanta o acesso ao diagnóstico e ao tratamento de qualidade é outro dos aspectos necessários para pôr fim à doença.
A tuberculose é causada por uma bactéria que quase sempre afeta os pulmões. É transmitida de pessoa a pessoa por meio do ar, quando um doente de tuberculose pulmonar tosse, espirra ou cospe. Os sintomas são perda de peso, febre, tosse e suor noturno.
A tuberculose pode ser tratada ou curada com medicamentos durante seis meses contínuos, sob supervisão de profissionais de saúde e apoio social ao paciente – para facilitar a adesão ao tratamento e evitar que ocorram resistências aos medicamentos, assim como a propagação da infecção.