‘Estamos falhando no planejamento, criação e administração das nossas cidades’, diz chefe da ONU

O secretário-geral da ONU se reuniu com lideranças globais do setor de moradia durante a primeira sessão de planejamento da Habitat III, conferência que debaterá estratégias para cidades mais sustentáveis.

Projeto de habitação do ONU-Habitat em Porto Príncipe, Haiti. Foto: ONU-Habitat

Projeto de habitação do ONU-Habitat em Porto Príncipe, Haiti. Foto: ONU-Habitat

A partir de 2050, as projeções indicam que dois terços da humanidade viverão nas cidades e por isso um bom planejamento urbano é vital para o desenvolvimento, comentou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nesta quarta-feira (16) ao grupo de representantes internacionais de governos e especialistas em moradia durante a primeira sessão de preparação para a Conferência de Moradia e Desenvolvimento Urbano que acontecerá em 2016, chamada também de Habitat III.

“As Nações Unidas continuam a promover um desenvolvimento urbano equitativo nos nossos assentamentos urbanos, vilarejos, municípios, cidades e países”, disse Ban, adicionando que a Habitat III terá um papel importante em transformar os centros urbanos em lugares mais “inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”.

O secretário-geral da Habitat III e diretor executivo do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) ressaltou que a Conferência significa uma “oportunidade para mudar a maneira em que vemos as cidades e como elas estão crescendo”. Acrescentou que o fato de 70% da população estar prevista para viver nas cidades na metade do século não pode ser usado como desculpa para uma expansão urbana desenfreada que nos leve a viver em cidades “mais segregadas, desiguais, injustas e intolerantes”.

“Nosso futuro será decidido nas cidades. Estamos falhando na maneira em que planejamos, criamos e administramos nossas cidades. Consequentemente, estamos falhando em criar um futuro sustentável para nós e as futuras gerações”, afirmou Clos.

No Brasil, a oficial do ONU-Habitat para o país, Rayne Ferretti Moraes, lembrou em uma entrevista que as manifestações de rua que aconteceram em 2013 indicam um desejo da população por mudanças nas políticas urbanas para as cidades brasileiras. “A resposta disso está no planejamento. No Brasil há uma proliferação de planos e assistimos a uma falta de mecanismo de conversa para que estes planos dialoguem entre si”, disse Rayne.

Para ela, a Habitat III representará uma oportunidade única para que os governos e instituições de todo o mundo se engajem na Nova Agenda Urbana de forma a responder ao rápido crescimento urbano, oferecendo um novo modelo de urbanização mais sustentável.